O Mundo Em Mudança

O mundo está em constante mudança. Umas coisas para melhor, outras para pior.

Nas coisas negativas, incluímos, sem qualquer dúvida: o aumento da poluição; o aumento da temperatura média ambiente; as alterações climáticas, aqui e ali, descontroladas; o aumento do poder hegemónico dos grandes grupos económicos; a fome que grassa em muitas zonas do Planeta; os conflitos que parece que nunca acabam: o aumento do radicalismo político e social; etc..

Nas coisas positivas, incluímos também sem dúvida, o crescimento imparável da informática e das novas tecnologias, que têm permitido todo um conjunto de avanços nos campos mais variados do conhecimento e das áreas profissionais, como sejam: a medicina, a engenharia, a comunicação, entre muitas outras áreas do conhecimento e do lazer.

Ninguém tem dúvidas de que a grande maioria das descobertas que hoje se fazem na área da medicina, por exemplo, se deve à qualidade dos instrumentos utilizados e às tecnologias avançadas hoje existentes, o que era impossível há algumas décadas atrás. Os aparelhos e instrumentos electrónicos são hoje muito mais potentes e precisos e apoiados por programas informáticos muito mais desenvolvidos. Além disso, as comunidades científicas, nacionais e internacionais, estão ligadas entre si permanentemente, trocando impressões em tempo real, permitindo avanços mais rápidos na descoberta e no conhecimento.

E o que dizer da rapidez de partilha da informação por qualquer cidadão, permitindo que qualquer acontecimento, qualquer comentário, dê a volta ao mundo em poucos segundos. Claro que, aqui, há também aspectos negativos que têm de ser acautelados, como sejam: as informações falsas, os boatos não confirmados, o pânico que se pode instalar em determinadas situações; etc. Mas, afinal, todos sabemos já que toda a informação pode sempre ser utilizada com fins e objectivos diferentes – nada de novo, portanto.

O que dizer também do enorme desenvolvimento da Engenharia Aeroespacial que permite, hoje, perscrutar pontos cada vez mais longínquos do Universo, pontos esses que o homem levaria, hoje, centenas ou milhares de anos a visitar (morreria pelo caminho).

E o impressionante disto tudo é que não se antevê que haja limite para o engenho humano. Aquilo que ontem era uma grande novidade, hoje é banal e amanhã ainda já está obsoleto.

As sociedades têm crescido a ritmos diferentes umas das outras, acompanhando ou passando ao lado de muita desta evolução do conhecimento. Mesmo, dentro do mesmo país, há cidades e vilas que estão mais sensibilizadas para a importância das Novas Tecnologias do que outras. É de receio a primeira reacção das pessoas ao desconhecido e, por isso, torcem o nariz a certas coisas novas que impactam com a sua vida profissional e particular, como sejam: as diferentes aplicações informáticas, os diferentes aparelhos de comunicação, os inúmeros gadgets que hoje existem com aplicações na saúde, no lazer, no bem-estar, no conforto do lar, etc.. Por isso, muitos não se aproximam destas novidades, pensando que não são para si e que delas nada de bom virá. Nada de mais errado! Há que desmistificar muitos desses receios infundados.

Muitos milhões de postos de trabalho novos têm sido criados, a nível mundial, à custa da Informática e das Novas Tecnologias. É certo que muitos outros postos de trabalho têm desaparecido com a robotização das empresas, por exemplo – é inevitável. Muitas novas empresas têm sido criadas em todo o mundo, a tirarem partido das Novas Tecnologias, criando todo um mundo novo de dispositivos electrónicos, com todo o tipo de sensores que medem as diferentes grandezas físicas e químicas, nomeadamente: temperatura, pressão, velocidade, humidade, posição geográfica, inclinação, etc.. E é preciso não esquecer que aqueles que fogem, hoje, do conhecimento estarão amanhã completamente desintegrados da sociedade, como se falassem uma linguagem diferente.

Quer se queira, quer não, cada empresa, cada cidade, cada vila ou aldeia, está em competição com outras, com ofertas semelhantes de bens e serviços. Neste braço de ferro, quem vai ganhar a competição?

Cada um terá os seus trunfos e argumentos a apresentar, os quais serão avaliados pelos compradores de bens e serviços, que somos todos nós, seja na compra de electrodomésticos ou de uma estadia na praia, no campo ou na montanha.

Ganhará aquele que conseguir apresentar o bem ou serviço com a melhor relação de qualidade/preço ou a oferta mais original, assim entendida pelo comprador.

E é aqui que entra a criatividade de cada proponente. Às vezes, os pormenores fazem toda a diferença. A criatividade pode ser desenvolvida, estimulada, trabalhada e pensada. Podem ser criadas equipas de reflexão (do tipo brainstorming, por exemplo), com vista a procurar ideias novas relacionadas com um dado bem ou serviço. O objectivo é criar um clima focado num dado assunto e tentar encontrar, em conjunto, soluções variadas para o mesmo, explorando diferentes ideias, mesmo que bizarras. A maioria das startups que tem aparecido no mercado nos últimos anos é assim que trabalha quando tem falta de soluções. A Apple é assim que geralmente trabalha. Claro que as empresas grandes, como a Apple, têm gente com enorme talento; mas o talento e a criatividade não é um exclusivo de alguns iluminados.

Em todo o lado, existe criatividade. Toda a gente pode desenvolver a sua criatividade, uns mais, outros menos. Se cada um de nós não tentar, ou não for estimulado, nunca saberá quais as suas reais capacidades. E quantos de nós não descobriram já muito tarde que, afinal, tinham alguns talentos de que não desconfiavam!

A maioria dos seres humanos gosta de apreciar a novidade, de ver coisas diferentes. É normal que isso aconteça, porque todos queremos sair da rotina – a rotina cansa. Vamos então dar-lhes aquilo que elas querem, em vez de impingir receitas e ideias antigas.

E não tenhamos medo de ver como os outros fazem para descobrir novas fórmulas, novas formas de pensamento e de acção. Novas formas de apresentar um produto, um serviço. Todos têm algo a ensinar aos outros. Aprendemos com toda a gente, mesmo com aqueles que parecem menos dotados ou até analfabetos. Há muitos exemplos, na História das sociedades, que o demonstram. Todos conhecemos casos que demonstram que a criatividade, o conhecimento e o talento está onde menos se espera. Não tenhamos medo de aprender com o outro, seja quem for. Não tenhamos medo de errar. Errar faz parte do processo de aquisição do conhecimento e do nosso crescimento. Com o erro, aprende-se muito – nem que seja a evitar cometer esse erro. Mas é mais do que isso – influencia o nosso raciocínio, levando-o noutra direcção.

Quem não tem coragem de mostrar que não sabe, não evolui, ou evolui menos. É preciso ter mente aberta, despojada de complexos e inibições.

O caminho faz-se caminhando. Não é parado que se caminha. Por isso, há que arregaçar as mangas, há que fazermo-nos à estrada. Apesar dos escolhos, sabe bem, no fim, o sucesso.

Como professor durante 36 anos, trabalhando diariamente com muitos jovens, aprendi muito com eles. Aprendi a ser melhor professor. Aprendi a ensiná-los melhor. Percebi que muitas vezes não estava a conseguir transmitir-lhes adequadamente os conceitos. Percebi que os jovens podem ser muito criativos.

A criatividade dos jovens, se bem aproveitada, pode permitir obter-se excelentes resultados. A experiência dos mais velhos, aliada à criatividade e fulgor dos mais novos, permite obter fórmulas de sucesso. Hoje em dia há muitos exemplos de startups, com gente jovem, a dar cartas no mundo empresarial. Por isso, é preciso olhar para esta gente de sucesso e aprender com eles.

O futuro está na criação criteriosa destas equipas mistas, focadas em objectivos bem definidos. Assim haja vontade de o fazer.

 

Lisboa, 12 de Outubro de 2017

José Vagos Carreira Matias

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Garrett McNamara – Lobo do Mar

Garrett McNamara ou GMac, como é conhecido pelos amigos, publicou o livro ‘Hound of the Sea’, traduzido e publicado em Portugal com o título de ‘Lobo do Mar’.

O homem das ondas grandes, ou big waves, que veio desafiar as enormes ondas do Canhão da Nazaré, está de parabéns com este seu primeiro livro. É um livro muito interessante, emocionante, aqui e ali, que conta a sua vida atribulada nos EUA, desde a infância, sempre saltando de terra em terra, com os pais, depois com a mãe (quais nómadas em território americano), a que se seguiu a paixão pelo surf, até ao momento presente. Aqui, em Portugal, a sua vida de infância é comparável à vida nómada dos ciganos – aliás, a sua mãe era alcunhada de ‘gitana’ (cigana), conforme GMac afirma no seu livro.

Garrett McNamara

Quase sempre com dificuldades económicas, pois sempre quis viver do surf – o que não era, nem é, fácil para a generalidade dos surfistas. Só alguns consagrados o conseguiam, e conseguem. Mas ele nunca desistiu do seu intento – sempre procurou forma de ultrapassar essas dificuldades – no mar e em terra.

Percebeu então que, para o seu estilo e competências pessoais, só as ondas gigantes o poderiam destacar dos demais. Àquelas ondas gigantes, que amedrontavam e afugentavam a maioria dos surfistas, ele conseguia olhá-las de frente. Não é que não tivesse medo delas, mas a grande qualidade de GMac era o controlo mental do medo, que aprendeu a utilizar no momento próprio. Como ele diz no livro, ‘é a nossa mente que produz o medo’ e, portanto, será a nossa mente que tem de o controlar e afugentar.

Com Nicole Macias, hoje McNamara – casaram-se no farol da Nazaré , em frente ao local onde surfou a maior onda gigante, no Canhão -, encontrou o apoio e o equilíbrio que precisava na sua vida.

Parabéns Garrett e Nicole!

Se o encontrar na Nazaré, hei-de pedir-lhe um autógrafo no livro que comprei. Um livro que vale a pena ler, pelos ensinamentos que dele se podem tirar. Penso que os jovens podem aprender muito com a sua determinação e luta contra as adversidades, deste homem corajoso e humilde, que se apaixonou pela Nazaré e quer retribuir o que a Nazaré lhe proporcionou.

A famosa onda de 23,8 metros, surfada no Canhão da Nazaré, em Novembro de 2011, valeu-lhe então o título de ‘maior onda surfada no Planeta’, atribuído por um painel de peritos do surf, o qual se juntou para determinar a verdadeira altura da onda.

Onda gigante de Garrett McNamara

Este Canhão (ou Cana, como sempre foi conhecido pelos pescadores da Nazaré), profundo, que servia de referência aos pescadores (ler livro ‘Biografia de Zé da Palacida’ – Pescador na Praia da Nazaré, que retrata a vida antiga na Nazaré, ligada ao mar e ao Canhão), quando procuravam os melhores pesqueiros, desde há mais de duzentos anos, e que produzia ondas gigantes sempre que se verificavam certas condições meteorológicas, estava destinado a fazer, um dia, história. Só não se sabia quando.

Esse foi o grande mérito de Garrett McNamara – colocou o Canhão e a Nazaré no mapa do mundo, trazendo até ele milhares e milhares de forasteiros. Seja inverno ou verão, é ver o corropio de forasteiros a quererem conhecer o Canhão das ondas gigantes.

Penso que ainda é cedo para se perceber o verdadeiro impacto da onda surfada por McNamara. Vai levar ainda mais alguns anos até se tornar um verdadeiro ritual vir à Nazaré conhecer o Canhão. A Nazaré já era muito conhecida em Portugal e no estrangeiro, pelo seu tipicismo, pela mulher das sete saias, mas passou a ser muito mais depois de McNamara. A onda gigante correu mundo, passou em todas as estações de televisão e propagou-se pela blogosfera e pelas redes sociais. Outras ondas semelhantes já ocorreram, entretanto, no Canhão da Nazaré. Hoje, já o Promontório se enche de visitantes logo  que a meteorologia refere a existência de condições para a ocorrência de ondas maiores – todos querem ver, in loco, as ondas grandes e os corajosos lobos do mar.

Com GMac, têm vindo à Nazaré muitos nomes consagrados do surf mundial. E não pode também deixar de se lembrar todos os jovens que têm sido, e continuarão a ser, influenciados pelo feito de McNamara.

A Nazaré deve a GMac o grande impulso no turismo que tanto procurava, e merecia, e GMac deve à Nazaré o empurrão que procurava na sua vida, para obter finalmente uma situação económica familiar mais desafogada. Ambos são dignos um do outro e merecem-no.

GMac não esquece a Nazaré e a Nazaré não esquecerá mais Garrett McNamara.

9 de Abril de 2017

José V C Matias

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DÍODOS E TIRÍSTORES – Vol 7 – Coleção BEE

A comprar na Plátano Editora, na Fnac, na Wook, na Bertrand.

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NOVO VOLUME – 7 – DA COLEÇÃO B.E.E.

Já saiu o volume número 7 – Díodos e Tirístores – da Coleção ‘Biblioteca do Eletricista e Eletrónico’. A comprar na Plátano Editora, na Fnac, na Wook, na Bertrand.

Os próximos volumes serão: Volume 8 – Transístor Bipolar e Amplificadores; Volume 9 – Transístores de Efeito de Campo: JFets, Mosfets e Amplificadores.

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