A Criatividade E A Repressão

Sempre houve gente muito criativa, em todas as épocas, em todos os séculos. Sempre houve gente com capacidades inventivas, com grande pendor imaginativo e criador, superiores ao comum dos cidadãos. Desde muito cedo, ainda durante os primeiros anos escolares, se revelam essas características particulares que distinguem os criativos dos outros. Uns virados para a pintura ou o design, outros para trabalhos manuais diversos, outros para a dança, música, poesia, etc..

No entanto, todos sabemos que uma grande parte dos jovens criativos se perde cedo para a sua área de criatividade, principalmente por razões culturais e/ou por razões económicas.

Com efeito, todas as actividades que aparentem ter algo a ver com as Artes sempre foram bastante estigmatizadas pela sociedade, pelas famílias daqueles que têm esses dons especiais. Poucos gostavam de ter ‘Artistas’ na família. Não eram consideradas profissões suficientemente sérias e dignas ou profissões com futuro! As Artes eram, por isso, fortemente desincentivadas ou, mesmo, reprimidas na maior parte das famílias, sempre que um jovem tentava fazer disso ocupação e profissão.

A sociedade sempre teve medo do desconhecido, medo daquilo que não controla e que pode trazer alterações sociais indesejáveis. Daí ser geralmente avessa a manifestações que possam pôr em causa o status quo estabelecido. Assim como também tem medo do ridículo, isto é, de todas as situações que saem fora dos padrões socialmente aceites ao longo dos séculos.

Felizmente que as coisas têm vindo a mudar progressivamente, principalmente nas últimas décadas – cá em Portugal, já no após 25 de Abril de 74.

Na verdade, não há nada mais gratificante espiritualmente do que o trabalho criativo. O trabalho criativo é estimulante, absorvente, enriquecedor e permite-nos obter estados elevados de boa disposição e felicidade, à medida que se obtêm resultados positivos – contrariamente ao trabalho mecanizado, repetitivo e desestimulante da maior parte das tarefas e profissões existentes fora da área da Criatividade.

Seja a criação musical, poética, área da pintura ou o design, cinema, fotografia, teatro, enfim de tantas outras, obtém-se sempre um retorno espiritual gratificante bastante positivo, mesmo quando não o é economicamente – o grande senão, actual, de muitas das actividades ligadas à criatividade artística.

Portugal, no tempo presente, com a crise existente, precisa da Criatividade dos seus cidadãos como de pão para a boca. Foram muitos anos, séculos, de repressão sobre a criatividade artística dos jovens portugueses, e dos menos jovens. Com a aposta na Criatividade, Inovação e Inventividade dos nossos jovens, inseridos ou não em pequenas, médias ou grandes empresas, Portugal pode dar o grande salto necessário para nos libertamos da asfixia das troikas, bancos centrais, mercados e outros sugadores do rendimento do trabalho alheio. A Criatividade permite fazer diferente e, por isso, ganhar nichos de mercado, aqui e ali.

E há muito por onde se pode apostar, muitos sectores onde aplicar a criatividade. O que é preciso é apoiar a criatividade destes jovens, apoiar as novas ideias emergentes, e não desincentivá-los ou mandá-los embora do país.

É importante que, logo nos primeiros anos escolares, seja estimulada a Criatividade dos alunos, e não reprimida. Deviam ser implementadas as técnicas de desenvolvimento da Criatividade, como por exemplo as sessões de Brainstorming, utilizando o binómio pensamento divergente – pensamento convergente, em que os participantes do grupo dão largas à sua imaginação, podendo apresentar as ideias mais estapafúrdias, livremente, sem medo de quaisquer críticas dos restantes. As coisas mais improváveis podem originar ideias brilhantes, resultantes do debate posterior em grupo.

O futuro do país está na Criatividade, na Inovação e na Inventividade!

Realizou-se entre 14 e 17 de novembro de 2013, na FIL, em Lisboa, o 1º Festival da Inovação e Criatividade. Esperemos que novos certames sejam realizados, bem como outras iniciativas semelhantes, de modo a estimular os criativos e sensibilizar a população em geral para a importância do tema!

 

Leia também:  A Criatividade  (http://josematias.pt/eletr/a-criatividade-2/),

Como Melhorar A Criatividade  (http://josematias.pt/eletr/como-melhorar-a-sua-criatividade/)

A Escrita E A Criatividade  (http://josematias.pt/eletr/a-escrita-e-a-criatividade-texto-1/),

bem como outros textos no link:  http://josematias.pt/eletr/temas-uteis/

 

19/11/2013

José V C Matias

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Sobre josematias

Licenciado em Engenharia Electrotécnica, ramo Energia e Potência, pelo I.S.T., em 1977, cedo comecei a leccionar no Ensino Secundário, desde 1975 até à data. A falta, então existente, de material didáctico para o apoio das aulas teóricas e práticas da área de Electrotecnia/Electrónica, fez despertar a necessidade de produzir textos de apoio para os alunos que, em colaboração com o colega Ludgero Leote, permitiu que fossem publicados os livros ‘Automatismos Industriais – Comando e regulação’, ‘Sistemas de Protecção Eléctrica’ e ‘Produção, Transporte e Distribuição de Energia’, em 1981/2/3. A partir daí, nunca mais parei de escrever, o que para mim é um prazer! O colega Leote, com outros interesses diversificados, desistiu de escrever para publicação. Escrevi ainda o livro Máquinas Eléctricas-Transformadores com o colega José Rodrigues que, entretanto, se deslocou para o Portugal ‘profundo’ (um abraço)! Tive uma curta experiência como Orientador Pedagógico, à Profissionalização, no Alentejo, muito interessante, mas que não foi suficiente para deixar o contacto directo com o aluno, e com os livros, os quais saem bastante enriquecidos com esse contacto permanente. Na verdade, é bem verdadeiro o velho ditado “ao ensinar, aprende-se duas vezes”. É esta a principal razão para continuar com o giz e o apagador, e não dentro de um qualquer gabinete, apesar dos problemas actuais do nosso ensino. Se, cada um de nós, dentro das suas possibilidades, características e competências, dermos algo aos outros, sairemos todos mais enriquecidos! O meu trabalho é fundamentalmente autodidacta, com muita pesquisa (nos livros, na Internet, no laboratório real e, agora, no virtual). Apesar das dificuldades do ensino, nunca desisti, e não vou desistir. Acredito que este país irá saber dar a volta por cima ! Depende de cada um de nós!
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