A Escrita e a Criatividade – Texto 3 – O Projecto

Cada livro que eu escrevo obedece a um Projecto previamente pensado, traçado e definido nas suas diferentes vertentes técnicas e pedagógicas. Durante semanas ou meses, a minha principal tarefa consiste em escrever no papel o esqueleto do trabalho que pretendo realizar, onde vou definindo o índice, com os temas e subtemas a abordar. Tomo notas sobre livros a ler e consultar ou locais de pesquisa na internet. Defino o grau de aprofundamento das matérias tratadas, em função dos Programas Oficiais em vigor, quando se trata de livros de âmbito escolar. Muitos outros pormenores são definidos mais tarde, durante a fase de escrita do esboço do livro, em papel, ou mesmo durante a fase de escrita do livro, no PC.

Depois desta fase de definição do Projecto a realizar, passo então ao trabalho de Leitura e Pesquisa de livros técnicos diversos, tomando notas curtas diversificadas sobre pormenores a não esquecer de incluir, imagens interessantes a intercalar, ideias novas que surgiram, questões de pormenor a pesquisar, etc. Esta é a fase de maior Criatividade, em que aparecem realmente ideias diferentes.

O trabalho de pesquisa pode durar 1 a 2 meses – depende da dimensão do projecto. Este trabalho é fundamental e imprescindível. Cada um de nós tem uma visão própria do mundo. Cada um de nós aborda os assuntos de forma diferenciada. A confrontação de pontos de vista diferentes é sempre positiva, permitindo-nos questionar os nossos próprios pontos de vista, as nossas ideias e conceitos, sobre qualquer assunto. O Projecto serve exatamente para isso – confrontar ideias e apresentar soluções novas. Projecto vem do latim Projectum que significa ‘O acto de lançar para a frente’ . Projectar é exatamente isso ‘lançar para a frente’ – fazer a ponte entre o presente e o futuro.

O Trabalho de Escrita propriamente dito só começa depois de terminada a fase global de pesquisa. Quando começo a escrever, já li ou consultei várias dezenas de livros, de forma a refrescar a memória; já fiz centenas de pesquisas, nomeadamente na internet, onde existe um enorme acervo sobre todo o tipo de assunto. Na internet, é preciso ter uma atitude muito crítica, pois existe coisas boas, mas também (a maioria) muito lixo, muita informação errada ou com pouco valor técnico ou científico.

A minha escrita é uma escrita corrida, fazendo recurso aos conteúdos que armazenei na cabeça. Por isso, o discurso é meu, as palavras são minhas, não há cópias de texto de ninguém. Evidentemente que vou utilizar o conhecimento científico que cientistas, físicos e matemáticos já estabeleceram como válidos e correctos – é essa a única cópia que existe nos meus livros. As figuras que utilizo nos livros são todas desenhadas na Editora, a partir de rascunhos meus.

O trabalho de escrita é moroso – pode demorar 6 meses, ou mais. É a fase mais cansativa, porque tem muitas tarefas repetitivas que se fazem com o teclado do PC (antigamente era com a máquina de escrever – o que era ainda pior.

(continua)

Nota: Leia também ‘A Escrita e a Criativade – Texto 1 ‘ e ‘A Escrita e a Criativade – Texto 2- Pesquisa de Novas Ideias’

 JMatias

29_07_2013

Sobre josematias

Licenciado em Engenharia Electrotécnica, ramo Energia e Potência, pelo I.S.T., em 1977, cedo comecei a leccionar no Ensino Secundário, desde 1975 até à data. A falta, então existente, de material didáctico para o apoio das aulas teóricas e práticas da área de Electrotecnia/Electrónica, fez despertar a necessidade de produzir textos de apoio para os alunos que, em colaboração com o colega Ludgero Leote, permitiu que fossem publicados os livros ‘Automatismos Industriais – Comando e regulação’, ‘Sistemas de Protecção Eléctrica’ e ‘Produção, Transporte e Distribuição de Energia’, em 1981/2/3. A partir daí, nunca mais parei de escrever, o que para mim é um prazer! O colega Leote, com outros interesses diversificados, desistiu de escrever para publicação. Escrevi ainda o livro Máquinas Eléctricas-Transformadores com o colega José Rodrigues que, entretanto, se deslocou para o Portugal ‘profundo’ (um abraço)! Tive uma curta experiência como Orientador Pedagógico, à Profissionalização, no Alentejo, muito interessante, mas que não foi suficiente para deixar o contacto directo com o aluno, e com os livros, os quais saem bastante enriquecidos com esse contacto permanente. Na verdade, é bem verdadeiro o velho ditado “ao ensinar, aprende-se duas vezes”. É esta a principal razão para continuar com o giz e o apagador, e não dentro de um qualquer gabinete, apesar dos problemas actuais do nosso ensino. Se, cada um de nós, dentro das suas possibilidades, características e competências, dermos algo aos outros, sairemos todos mais enriquecidos! O meu trabalho é fundamentalmente autodidacta, com muita pesquisa (nos livros, na Internet, no laboratório real e, agora, no virtual). Apesar das dificuldades do ensino, nunca desisti, e não vou desistir. Acredito que este país irá saber dar a volta por cima ! Depende de cada um de nós!
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