A Escrita e a Criatividade – Texto 5 – O Ritmo e Horário de Escrita

O acto de escrever tanto pode ser um hobby, que se faz apenas por prazer, como constituir uma profissão, que se faz então também por obrigação.

Sabemos que quando se faz qualquer coisa por obrigação, o trabalho pode tornar-se mais doloroso, visto que nem sempre o fazemos nas condições desejáveis e, por isso, nem sempre temos prazer quando o fazemos, do que se ressente a sua rentabilidade. Quando alguém utiliza a escrita como profissão, nem sempre pode escolher, como gostaria, os melhores horários e os melhores períodos para escrever os seus textos, os seus poemas, os seus livros.

 Admitindo que, mesmo nas situações mais exigentes, existe uma razoável liberdade de escolha de horários, então eu indicaria as seguintes sugestões a ter em conta no acto da escrita:

  1. Estabelecer um horário diário que se ajuste às suas características pessoais, dentro dos períodos de maior rentabilidade pessoal. Quando tinha 20 anos, gostava de escrever à noite, no silêncio. Hoje, já não. O meu rendimento, à noite, é muito baixo. Continuo a preferir o silêncio, mas agora o da manhã, depois de uma noite bem dormida. Depois, a meio da tarde, até à hora de jantar, sempre que posso.
  2. Definir o número de horas de escrita diária – Todos nós sabemos que existe um limite, variável de pessoa para pessoa, para a concentração na tarefa que estamos a realizar. A partir desse limite, o trabalho é pobre. A ideia, por isso, é fazer uma pausa logo que sentir que está a desconcentrar-se e que as ideias já não fluem facilmente. Costumo escrever durante duas a três horas seguidas, no máximo – variável, consoante o tema a tratar. As pausas permitem-nos recuperar energias, relaxar e libertar o cérebro daquela pressão em que nos encontrávamos. Ao ficar liberto, a corrente do pensamento dá-nos, frequentemente, de mão beijada, a solução que procurávamos.
  3. Quando há prazos a cumprir, impõe-se alguma disciplina no trabalho, para evitar estar a adiar para o outro dia aquilo que temos que fazer. Se não existirem prazos a cumprir, pode permitir-se algum adiamento para dia ou hora mais rentável, desde que não se faça constantemente por preguiça.
  4. O ruído ou o silêncio são outros dos condicionantes dos horários de escrita. Há quem goste de escrever no silêncio e há quem precise de um ruído de fundo para se concentrar melhor. Por isso, muitas vezes não se escolhem os horários teoricamente mais produtivos, em virtude de não haver silêncio ou haver demasiado silêncio.
  5. Cada um tem o seu ritmo de escrita próprio. O meu ritmo de escrita é grande – torna-se obsessivo. Enquanto não chego ao fim do trabalho, não descanso. Ando então num frenesim constante. Não o aconselho, principalmente àqueles que têm um ritmo natural mais tranquilo. As pessoas têm características diferentes. Cada um deve  adoptar o seu ritmo próprio, desde que seja rentável e corresponda à sua natureza. A única condição é não se deixar vergar pela preguiça que é a mãe de muitos males!

     (continua)

Nota – Leia também os textos: A Escrita e a Criatividade – Texto 1,  A Escrita e a Criatividade – Texto 2 – Pesquisa de Novas Ideias,  A Escrita e a Criatividade – Texto 3 – O Projecto, A Escrita e a Criatividade – Texto 4 – Potenciar a Criatividade.

JMatias  02-08-2013

Sobre josematias

Licenciado em Engenharia Electrotécnica, ramo Energia e Potência, pelo
I.S.T., em 1977, cedo comecei a leccionar no Ensino Secundário, desde 1975
até à data.
A falta, então existente, de material didáctico para o apoio das aulas
teóricas e práticas da área de Electrotecnia/Electrónica, fez despertar a
necessidade de produzir textos de apoio para os alunos que, em colaboração
com o colega Ludgero Leote, permitiu que fossem publicados os livros
‘Automatismos Industriais – Comando e regulação’, ‘Sistemas de Protecção
Eléctrica’ e ‘Produção, Transporte e Distribuição de Energia’, em 1981/2/3. A
partir daí, nunca mais parei de escrever, o que para mim é um prazer! O colega
Leote, com outros interesses diversificados, desistiu de escrever para
publicação.
Escrevi ainda o livro Máquinas Eléctricas-Transformadores com o colega
José Rodrigues que, entretanto, se deslocou para o Portugal ‘profundo’ (um
abraço)!
Tive uma curta experiência como Orientador Pedagógico, à
Profissionalização, no Alentejo, muito interessante, mas que não foi suficiente
para deixar o contacto directo com o aluno, e com os livros, os quais saem
bastante enriquecidos com esse contacto permanente. Na verdade, é bem
verdadeiro o velho ditado “ao ensinar, aprende-se duas vezes”. É esta a
principal razão para continuar com o giz e o apagador, e não dentro de um
qualquer gabinete, apesar dos problemas actuais do nosso ensino. Se, cada um
de nós, dentro das suas possibilidades, características e competências, dermos
algo aos outros, sairemos todos mais enriquecidos!
O meu trabalho é fundamentalmente autodidacta, com muita pesquisa (nos
livros, na Internet, no laboratório real e, agora, no virtual). Apesar das
dificuldades do ensino, nunca desisti, e não vou desistir. Acredito que este
país irá saber dar a volta por cima ! Depende de cada um de nós!

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