A Escrita e a Criatividade – Texto 8 – Rituais e rotinas de escrita

Todos aqueles que escrevem de uma forma regular têm alguns rituais e rotinas que utilizam na sua atividade de escrita. Embora alguns possam nunca terem-no feito conscientemente, a verdade é que todos têm alguns rituais que utilizam sempre que se preparam para escrever. Muitos dos rituais são tão simples que nem sempre nos apercebemos deles.

Os rituais são gestos, atitudes, procedimentos que utilizamos invariavelmente quando executamos ou nos preparamos para executar certas tarefas. Pode ser simplesmente o facto de só escrevermos quando existe silêncio à nossa volta, ou só conseguirmos escrever se tivermos uma música de fundo em redor, ou só escrevermos se tivermos um cigarro na mão, ou um café ao lado, ou se estivermos bem sentados, ou deitados, etc, etc..

No fim de contas, os rituais são pequenas ajudas psicológicas para potenciarem a concentração na tarefa que vamos executar. E vale a pena seguirmos esses rituais, porque de outro modo podemos ficar obcecados, e paralisados, pelo facto de não os termos seguido, desconcentrando-nos na tarefa.

Os rituais podem ser os mais diversos e têm também frequentemente muitas condicionantes externas. Diz-se que Honoré de Balzac, para conseguir escrever, tinha de ausentar-se da família durante o tempo necessário para a escrita dos seus livros.

Os meus rituais de escrita são simples: só escrevo se existir silêncio à minha volta – quando não existe, desconcentro-me facilmente e o trabalho não rende; por vezes, ponho uma música de fundo, relaxante, tocando baixinho; escrevo sempre com um café ao lado, que vou bebendo lentamente; o tabaco, tive que acabar com ele, antes que ele acabasse comigo; só escrevo depois de montar o cenário à minha volta: livros, cadernos, dossiês, etc.; visto roupa confortável; escrevo geralmente sentado numa cadeira de braços, baixa, junto à janela que tem sempre muita luz natural durante o dia; antigamente, escrevia no silêncio da noite, mas hoje já não o faço, pois o resultado é medíocre; sempre que estou inspirado e com bastante energia, escrevo muito depressa e durante várias horas seguidas, só parando quando fico cansado; quando não me sinto inspirado, faço outras tarefas que não exijam criatividade.

São estes os meus principais rituais que utilizo normalmente na minha atividade de escrita. Evidentemente que há alturas em que, por dever de ofício, somos obrigados a sacrificar a criatividade à necessidade imperiosa de concluir uma tarefa no prazo estipulado. São os ossos do ofício. No resto, faz-se por melhorar a rentabilidade do trabalho produzido.

(continua)

Nota: Leia também:  A Escrita e a Criatividade – Texto 1,  A Escrita e a Criatividade – Texto 2 – Pesquisa de Novas Ideias,  A Escrita e a Criatividade – Texto 3 – O ProjectoA Escrita e a Criatividade – Texto 4 – Potenciar a Criatividade A Escrita e a Criatividade – Texto 5 – O Ritmo e Horários de TrabalhoA Escrita e a Criatividade – Texto 6- Organização e Métodos de Trabalho; A Escrita e a Criatividade – Texto 7 – Como fazer a Base de Dados da sua Biblioteca

 

JMatias   26_8_2013

Sobre josematias

Licenciado em Engenharia Electrotécnica, ramo Energia e Potência, pelo I.S.T., em 1977, cedo comecei a leccionar no Ensino Secundário, desde 1975 até à data. A falta, então existente, de material didáctico para o apoio das aulas teóricas e práticas da área de Electrotecnia/Electrónica, fez despertar a necessidade de produzir textos de apoio para os alunos que, em colaboração com o colega Ludgero Leote, permitiu que fossem publicados os livros ‘Automatismos Industriais – Comando e regulação’, ‘Sistemas de Protecção Eléctrica’ e ‘Produção, Transporte e Distribuição de Energia’, em 1981/2/3. A partir daí, nunca mais parei de escrever, o que para mim é um prazer! O colega Leote, com outros interesses diversificados, desistiu de escrever para publicação. Escrevi ainda o livro Máquinas Eléctricas-Transformadores com o colega José Rodrigues que, entretanto, se deslocou para o Portugal ‘profundo’ (um abraço)! Tive uma curta experiência como Orientador Pedagógico, à Profissionalização, no Alentejo, muito interessante, mas que não foi suficiente para deixar o contacto directo com o aluno, e com os livros, os quais saem bastante enriquecidos com esse contacto permanente. Na verdade, é bem verdadeiro o velho ditado “ao ensinar, aprende-se duas vezes”. É esta a principal razão para continuar com o giz e o apagador, e não dentro de um qualquer gabinete, apesar dos problemas actuais do nosso ensino. Se, cada um de nós, dentro das suas possibilidades, características e competências, dermos algo aos outros, sairemos todos mais enriquecidos! O meu trabalho é fundamentalmente autodidacta, com muita pesquisa (nos livros, na Internet, no laboratório real e, agora, no virtual). Apesar das dificuldades do ensino, nunca desisti, e não vou desistir. Acredito que este país irá saber dar a volta por cima ! Depende de cada um de nós!
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