A Importância Do Mar

O Mar imenso é muito mais do que um local para onde os poetas convergem os seus sonhos e utilizam nas suas divagações poéticas. O Mar imenso não é só uma enorme massa de água por onde passam diariamente milhares de barcos cruzando oceanos, em todas as direcções e sentidos.

O Mar, que ocupa cerca de 71% da superfície da Terra, tem uma importância enormíssima na vida na Terra. Basta dizer que 70% do oxigénio existente na Terra é produzido pelo fitoplâncton marítimo – e todos sabemos da importância do oxigénio, para a vida. O Mar tem uma importância fundamental e decisiva no clima que rodeia a Terra – as nuvens são formadas fundamentalmente pela água do Mar evaporada e depois filtrada e transformada em água doce. E todos nós sabemos qual a importância da água doce na vida da Terra. Os ventos, necessários à polinização das plantas, têm origem na diferença de temperatura entre a terra e o mar. E todos sabemos da importância das plantas na vida do homem.

E muito mais poderíamos dizer sobre o Mar e a Vida.

Portanto, o Mar regula a vida na Terra!

Mas se tudo isso ainda fosse pouco, o Mar tem em si enormes potencialidades para fornecer ao ser humano um conjunto de benefícios que ele, cada vez menos, vai encontrar em terra.

Desde a Revolução Industrial, iniciada em meados do século XVIII, que o homem tem consumido recursos naturais a uma velocidade estonteante, sem a preocupação da rentabilização, nem preocupações ecológicas e sem grandes critérios. O ambiente foi todo posto em causa – nem o próprio Mar escapou a essa voragem transformadora provocada pela revolução tecnológica e produção descontrolada, que tudo poluiu.

A população a nível mundial tem crescido a um ritmo galopante. A China tem hoje cerca de 1340 milhões de habitantes, a Índia tem cerca de 1240 milhões de habitantes, a população mundial atingiu a soma astronómica de 7000 milhões de habitantes! Os recursos da Terra começaram, por isso, a escassear. Foi então que o homem começou a olhar para o mar e viu nele possivelmente aquilo que não tinha visto antes. Percebeu que o Mar tem uma extensão muito superior à da terra e que muitos segredos tem ainda guardados e inexplorados.

Com efeito, o Mar tem, entre outras, as seguintes valências: pesca, transportes marítimos, desportos náuticos, investigação biológica, botânica e biotecnológica, recursos minerais diversificados, exploração de petróleo e gás natural, exploração de energias renováveis, lazer marítimo, estudos geológicos marinhos, hidrografia, cartografia, meteorologia, gestão e preservação dos recursos marítimos, etc.

Portugal, como país virado para o Oceano Atlântico, que se lançou na Epopeia dos Descobrimentos Marítimos, já no século XIV, que ‘deu novos mundos ao mundo’, com uma zona marítima exclusiva cerca de 20 vezes superior à do território continental, tem todas as condições estratégicas, e algum know how, para vir a dar ainda muito ao mundo. Aliás, sou adepto, tal como muitos outros, de que o Mar é, e vai ser, a grande aposta de Portugal para sairmos da infeliz situação económica em que nos encontramos. É uma das áreas em que Portugal pode evoluir bastante, andar à frente dos restantes países e vender bens e serviços, em vez de andar a seu reboque.

As nossas Universidades e Politécnicos (Algarve, Aveiro, Leiria, entre outras) já de há alguns anos para cá estão a apostar no Cluster do Mar, para aumentar os conhecimentos sobre o Mar, desenvolver novas tecnologias, criando um conjunto diversificado de pequenas empresas que concretizam esses conhecimentos em inovação tecnológica. O Professor Ernâni Lopes foi um dos pioneiros na perceção da importância do Mar como fator de desenvolvimento económico e estratégico de Portugal, desde que seja feito um aproveitamento global de todas as valências associadas – assunto bem delineado no seu estudo ‘Hipercluster da Economia do Mar’.

Esperemos que entretanto a sociedade civil seja fortemente mobilizada e aliciada a intervir e a contribuir com a sua criatividade e conhecimentos parcelares para este Grande Projecto Nacional de aproveitamento das potencialidades do Mar, de uma forma sustentável e ecológica. Cabe, por isso, às Entidades Governamentais respetivas, um papel central de regulamentação, definição de estratégias e de áreas de atividade, de gestão, mobilização, etc.. Pretende-se que, a partir de um Grande Projecto Nacional, seja possível atrair grandes investimentos internacionais, necessários para lhe dar dimensão e projeção internacional.

Importante também é que os nossos Programas Curriculares do Ensino comecem a apostar no Mar, desde as idades mais tenras, de forma a divulgar a sua importância e a criar nos nossos jovens o interesse por esta área do conhecimento, permitindo desde muito cedo a sua reflexão, troca de ideias e uma escolha profissional mais consciente. Devem também ser criados Cursos Profissionais diversificados ligados à área do Mar, nas suas diferentes valências.

Entretanto, a Comunidade Europeia já balizou os limites do aproveitamento e desenvolvimento das novas tecnologias do Mar, dentro de um quadro de sustentabilidade global, com fortes preocupações ecológicas, através de um Projecto a que deram o nome de  Crescimento Azul.

Dito isto, só devemos esperar que o aproveitamento do potencial marítimo seja feito de uma forma ecológica e sustentável, preservando essa enorme riqueza – o Mar – que é a base da sustentabilidade da vida na Terra.

Viva o Mar! Viva a vida na Terra!

 

Nota: Leia também os seguintes artigos:

A Pesca – Modalidades – Evolução Histórica  : http://josematias.pt/eletr/a-pesca-modalidades-evolucao-historica/

A Pesca Desportiva: http://josematias.pt/eletr/a-pesca-desportiva/

Biografia de Zé da Palacida – Pescador na Praia da Nazaré: http://josematias.pt/eletr/biografia_de_ze_da_palacida2/

 

28/09/2013

José V C Matias

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Sobre josematias

Licenciado em Engenharia Electrotécnica, ramo Energia e Potência, pelo
I.S.T., em 1977, cedo comecei a leccionar no Ensino Secundário, desde 1975
até à data.
A falta, então existente, de material didáctico para o apoio das aulas
teóricas e práticas da área de Electrotecnia/Electrónica, fez despertar a
necessidade de produzir textos de apoio para os alunos que, em colaboração
com o colega Ludgero Leote, permitiu que fossem publicados os livros
‘Automatismos Industriais – Comando e regulação’, ‘Sistemas de Protecção
Eléctrica’ e ‘Produção, Transporte e Distribuição de Energia’, em 1981/2/3. A
partir daí, nunca mais parei de escrever, o que para mim é um prazer! O colega
Leote, com outros interesses diversificados, desistiu de escrever para
publicação.
Escrevi ainda o livro Máquinas Eléctricas-Transformadores com o colega
José Rodrigues que, entretanto, se deslocou para o Portugal ‘profundo’ (um
abraço)!
Tive uma curta experiência como Orientador Pedagógico, à
Profissionalização, no Alentejo, muito interessante, mas que não foi suficiente
para deixar o contacto directo com o aluno, e com os livros, os quais saem
bastante enriquecidos com esse contacto permanente. Na verdade, é bem
verdadeiro o velho ditado “ao ensinar, aprende-se duas vezes”. É esta a
principal razão para continuar com o giz e o apagador, e não dentro de um
qualquer gabinete, apesar dos problemas actuais do nosso ensino. Se, cada um
de nós, dentro das suas possibilidades, características e competências, dermos
algo aos outros, sairemos todos mais enriquecidos!
O meu trabalho é fundamentalmente autodidacta, com muita pesquisa (nos
livros, na Internet, no laboratório real e, agora, no virtual). Apesar das
dificuldades do ensino, nunca desisti, e não vou desistir. Acredito que este
país irá saber dar a volta por cima ! Depende de cada um de nós!

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