A Nazaré e o futuro

A Nazaré vive dias de enorme transformação. Com a redução da pesca e a fuga dos mais novos para outras atividades, longe do mar, o futuro da Nazaré tem necessariamente de ser diferente e passar para outras valências. Ao mesmo tempo que se tem assistido a um decréscimo da atividade piscatória, tem-se verificado também um incremento nas atividades ligadas ao turismo, com o aparecimento de novos negócios, novas empresas e novas oportunidades.

É exatamente em torno do Turismo e do Lazer que a Nazaré tem de apostar e, tanto quanto sei, vai reforçar essa aposta. Com as condições naturais que  possui, a Nazaré tem tudo para se poder transformar esta bela vida numa cidade pujante e atrativa, a colocar em todos os roteiros turísticos nacionais e internacionais. Para isso, é preciso elaborar um bom Projeto Concelhio, divulgá-lo convenientemente, de forma a atrair os investimentos dos grandes consórcios nacionais e internacionais, para poder implementá-lo, sem sobressaltos.

Este Projeto terá de envolver as seguintes áreas: hotéis, restaurantes, campos de golfe e de ténis, vela, surf e outras atividades no âmbito do Lazer Marítimo e Terrestre. Todas estas valências – golfe, ténis, vela, surf – atraem, como se sabe, muita gente e muito dinheiro. Daí a importância de uma boa oferta turística, consubstanciada num projeto integrado, bem pensado e elaborado. Dinheiro atrai dinheiro. O mar, como oferta turística, ainda está muito pouco aproveitado em Portugal, e na Nazaré, em particular. A crise impõe soluções novas. É a altura certa para avançar nesse sentido!

O concelho da Nazaré tem muito por onde se expandir. Penso, contudo, que vai expandir-se, em força,  para o sul, aproveitando o extenso  terreno e areal a sul do rio Alcoa e do Porto de Abrigo. A marina pode, e deve, ser alargada. O Canhão da Nazaré já está a atrair muita gente de todos os cantos do mundo, ligadas ao surf, ou apenas curiosos, e vai atrair ainda mais gente, à medida que o aproveitamento das suas enormes potencialidades for integrado no Projeto global. As ondas gigantes surfadas pelo americano Garrett McNamara   (link da página do Facebook) correram mundo e despertaram o interesse de muita gente em vir conhecer o local onde elas se formaram e foram surfadas. Penso, por isso, ser de considerar a hipótese da construção, a médio prazo, de uma pista de aviação pequena para voos charter.

Na Área do Lazer Marítimo pode, e deve, aproveitar-se o enorme conhecimento prático dos pescadores da Nazaré, em atividade ou os  já reformados, para orientar atividades pedagógicas, remuneradas, a todos os forasteiros que nos virão visitar. Dou alguns exemplos de atividades de lazer marítimas que podem ser aliciantes para muita gente:

1)      Uma tarde a pescar ao safio/ faneca/ lagosta/ etc

2)      Uma tarde a sondar os fundos, à moda antiga, procurando as beiradas de pesca;

3)      Em alternativa, utilizando as sondas modernas, GPS, etc.

4)      Uma tarde a localizar os pesqueiros mais conhecidos, pelos sinais de terra;

5)      Almoçar uma caldeirada, a bordo de um barco;

6)      Passeio turístico marítimo a visitar a nossa costa;

7)      Atividades marítimas destinadas a crianças;

8)      Passeios de barco a remos no rio Alcoa;

9)      Concursos de pesca de mar e rio;

10)  Observar um pôr de sol, num barco, em alto mar;

11)  Pesca submarina;

12)  Passeios de mergulho para visita da flora e fauna subaquática local

13)  Aprender a andar à vela;

14)  Pequenas provas à vela;

15)  Grandes provas à vela, a nível nacional ou internacional;

16)  Outras atividades marítimas e/ou desportivas, a definir.

17)  Atividades marítimas designadas ‘A imaginação é o limite’ – novas atividades a     conceber, projetar e implementar.

Outras atividades  e empreendimentos: visitas culturais guiadas, concursos de fotografia, escolas de ténis, escolas de golfe, aulas de surf, provas de natação marítimas, provas de exibição com esqui, no mar, passeios na natureza; e muitos outras.

O Sítio da Nazaré tem excelentes condições panorâmicas para visualizar o mar da Nazaré e tudo o que lá se passe, nomeadamente as provas que aí se realizarem. Pode, evidentemente, melhorar-se todo o acesso, a segurança e a qualidade da observação. 

A Nazaré precisa de aliar cada vez mais  a experiência dos mais velhos à energia, vontade e conhecimentos informáticos e das novas tecnologias dos mais novos, para criar e desenvolver novos Projetos que criem riqueza e empregos para a região. A Câmara Municipal, se não tem, devia criar um gabinete constituído por esta diversidade etária, com gente criativa, com o único objetivo de Pesquisa de Ideias Novas, Sugestões de Projetos Novos, Adaptação de Ideias e Projetos de Outros Concelhos, Regiões, Países, etc.. O futuro está na Novidade, na Criatividade, na Originalidade. A Onda do McNamara tem de ser aproveitada de múltiplas formas!

Depois de realizado o Projeto Integrado do Município, é necessário atrair o Investidor! Para atrair o Investidor, é preciso divulgar bem o Projeto Integrado do Município, dando conta das potencialidades da Nazaré. Há muito capital por aí, com crise ou sem ela, à espera de uma boa oportunidade para ser aplicado. O importante é que o Projeto tenha qualidade suficiente para atrair esses capitais. A partir daí, penso que será uma bola de neve – capital atrai capital; sucesso atrai sucesso. Ficam todos a ganhar e a Nazaré, em particular, pode dar um salto qualitativo no seu estatuto e na qualidade de vida dos seus habitantes, mudando completamente de paradigma. De terra de pescadores, transformar-se-á, cada vez mais, em terra de turismo. O mar ninguém nos rouba. Está cá sempre. Vamos, entretanto, aproveitar novas valências do enorme potencial que ele possui e nos pode emprestar. 

O mar não serve só para pescar. O mar serve também para observar, respeitar, tratar e despoluir, passear,  meditar, com ele sonhar, apreciar nele os lindos pôr-de-sol, mergulhar, bem como realizar todas as atividades náuticas e desportivas que todos conhecemos e outras que podemos inventar.  Temos que permitir que todos possam usufruir do mar, de uma forma saudável, encarando-o como um bem a ser preservado. É um novo paradigma. É uma espécie de virar de página. Ir ao encontro de uma nova relação com o mar e a natureza, menos dolorosa, mais amiga. Quem sabe o que ele ainda nos pode dar!

Imagino eu que um dia também serão organizados passeios subaquáticos para ver mais de perto o que é o Canhão da Nazaré e suas riquezas. Eu gostaria de um dia conhecer esse novo mundo, escondido, mas tão perto de nós.

O Sr Presidente da República diz, e muito bem, que o futuro de Portugal passa pela aposta no mar. Concordo com ele. Está na altura de nos tornarmos mais amigos do mar, ao mesmo tempo que desenvolvemos a nossa terra.

A NAZARÉ É AMIGA DO MAR! A NAZARÉ ESTÁ VOLTADA PARA O MAR!!

 Lisboa, 10 de novembro de 2012

José Vagos Carreira Matias

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 (in Livro ‘Biografia de Zé da Palacida – Pescador na Praia da Nazaré’ – de José Vagos Carreira Matias – Publicado pela Plátano Editora em Julho de 2013)

Sobre josematias

Licenciado em Engenharia Electrotécnica, ramo Energia e Potência, pelo I.S.T., em 1977, cedo comecei a leccionar no Ensino Secundário, desde 1975 até à data. A falta, então existente, de material didáctico para o apoio das aulas teóricas e práticas da área de Electrotecnia/Electrónica, fez despertar a necessidade de produzir textos de apoio para os alunos que, em colaboração com o colega Ludgero Leote, permitiu que fossem publicados os livros ‘Automatismos Industriais – Comando e regulação’, ‘Sistemas de Protecção Eléctrica’ e ‘Produção, Transporte e Distribuição de Energia’, em 1981/2/3. A partir daí, nunca mais parei de escrever, o que para mim é um prazer! O colega Leote, com outros interesses diversificados, desistiu de escrever para publicação. Escrevi ainda o livro Máquinas Eléctricas-Transformadores com o colega José Rodrigues que, entretanto, se deslocou para o Portugal ‘profundo’ (um abraço)! Tive uma curta experiência como Orientador Pedagógico, à Profissionalização, no Alentejo, muito interessante, mas que não foi suficiente para deixar o contacto directo com o aluno, e com os livros, os quais saem bastante enriquecidos com esse contacto permanente. Na verdade, é bem verdadeiro o velho ditado “ao ensinar, aprende-se duas vezes”. É esta a principal razão para continuar com o giz e o apagador, e não dentro de um qualquer gabinete, apesar dos problemas actuais do nosso ensino. Se, cada um de nós, dentro das suas possibilidades, características e competências, dermos algo aos outros, sairemos todos mais enriquecidos! O meu trabalho é fundamentalmente autodidacta, com muita pesquisa (nos livros, na Internet, no laboratório real e, agora, no virtual). Apesar das dificuldades do ensino, nunca desisti, e não vou desistir. Acredito que este país irá saber dar a volta por cima ! Depende de cada um de nós!
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2 respostas a A Nazaré e o futuro

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