A PESCA DESPORTIVA

Ao longo de muitos anos, a pesca desportiva tem sido uma actividade de relaxamento, anti-stress, utilizada pelos portugueses, de todas as idades e camadas sociais, que lhes permite passar um bom bocado, longe do reboliço da cidade, do trânsito e até longe das pessoas com quem se convive diariamente.

A pesca desportiva é daquelas actividades realmente calmantes, com um efeito quase milagroso sobre a pessoa, mesmo as mais neuróticas ou ansiosas, substituindo-se às terapêuticas à base de químicos.

Na pesca desportiva, o apanhar peixe não é o único factor importante e, em muitos casos, nem sequer o mais importante. As pessoas vão à pesca para passar uma manhã calma, uma tarde tranquila ou um dia sossegado, recarregando baterias para a semana seguinte. Eu fui pescador desportivo (pesca apeada) durante muitos anos. Pescava principalmente durante os períodos de férias e também um ou outro fim-de-semana. Hoje, já pesco mais espaçadamente.

Há uns anos atrás, ainda se pescava alguns peixes interessantes, de tamanhos variados e qualidade diversificada. Progressivamente, o peixe foi desaparecendo das nossas costas, devido a razões diversas, nomeadamente: aperfeiçoamento das técnicas de pesca; uso de técnicas de pesca que não respeitam a criação, destruindo-as; uso de técnicas de pesca que destrói a flora marítima (alimento dos peixes); uso de artes de pesca ilegais; falta de períodos de ‘defeso’ das espécies piscícolas (no período da desova); etc..

Tarde demais, o governo tomou algumas medidas com vista à protecção dos recursos piscícolas. Para além da limitação do pescado individual, uma das medidas tomadas foi a obrigatoriedade do uso de licenças de pesca por parte de todos aqueles que se dedicam a uma qualquer das formas de pesca desportiva: apeada, submarina, em barco.

Se é verdade, e está provado que sim, que a pesca desportiva em barco bem como a pesca submarina fazem muitas capturas, havendo até quem faça disso uma actividade profissional não declarada, já relativamente à pesca apeada isso não se verifica, na generalidade dos casos. O pescador apeado pretende, na maioria dos casos, passar apenas um bom bocado, descansar e/ou recarregar baterias para um melhor desempenho da sua actividade profissional. A maior parte das vezes não apanha nada. 

O reformado tinha aqui uma das suas actividades preferidas (e saudável) que, em muitos casos é obrigado a abandoná-la por não poder pagar as licenças. Por que razão, o reformado (muitos deles, com reformas magríssimas) há-de pagar esta licença? Será preferível o reformado estar sentado no banco do jardim? Ou ir para a tasca passar o tempo?

Evidentemente que quem trabalha acaba por arranjar o dinheiro para tirar a licença, se gosta mesmo de pescar. Aos reformados, penso que é imoral obrigá-los a pagar a licença de pesca. Deviam ficar isentos das mesmas, sendo-lhes passada uma licença, com isenção de pagamento.

Entretanto, ficam por resolver alguns dos principais problemas causadores da falta de peixe nas nossas costas, nomeadamente: a pesca profissional ilegal, a utilização de técnicas destruidoras da flora marítima, a destruição dos juvenis, a utilização de redes de malha apertada, a disseminação por toda a costa de redes junto às praias, dizimando tudo o que passa, a impunidade com que muitos dos arrastões trabalham, utilizando vários tipos de redes (umas legais e outras ilegais), etc..

Evidentemente que tudo isto passa por equipar a marinha com meios mais eficazes, mais barcos (rápidos), mais meios aéreos. Não fazendo isso, não se resolve o fulcro do problema e, para além disso, o pescador desportivo sente que foi o bode expiatório de um problema maior que cabe ao estado resolver, e não está a resolvê-lo.

Portela,  22 de Agosto de 2013 

José Vagos Carreira Matias

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Pesca Desportiva - José Matias e Zé da Palacida

Pesca Desportiva – José Matias e Zé da Palacida

Sobre josematias

Licenciado em Engenharia Electrotécnica, ramo Energia e Potência, pelo I.S.T., em 1977, cedo comecei a leccionar no Ensino Secundário, desde 1975 até à data. A falta, então existente, de material didáctico para o apoio das aulas teóricas e práticas da área de Electrotecnia/Electrónica, fez despertar a necessidade de produzir textos de apoio para os alunos que, em colaboração com o colega Ludgero Leote, permitiu que fossem publicados os livros ‘Automatismos Industriais – Comando e regulação’, ‘Sistemas de Protecção Eléctrica’ e ‘Produção, Transporte e Distribuição de Energia’, em 1981/2/3. A partir daí, nunca mais parei de escrever, o que para mim é um prazer! O colega Leote, com outros interesses diversificados, desistiu de escrever para publicação. Escrevi ainda o livro Máquinas Eléctricas-Transformadores com o colega José Rodrigues que, entretanto, se deslocou para o Portugal ‘profundo’ (um abraço)! Tive uma curta experiência como Orientador Pedagógico, à Profissionalização, no Alentejo, muito interessante, mas que não foi suficiente para deixar o contacto directo com o aluno, e com os livros, os quais saem bastante enriquecidos com esse contacto permanente. Na verdade, é bem verdadeiro o velho ditado “ao ensinar, aprende-se duas vezes”. É esta a principal razão para continuar com o giz e o apagador, e não dentro de um qualquer gabinete, apesar dos problemas actuais do nosso ensino. Se, cada um de nós, dentro das suas possibilidades, características e competências, dermos algo aos outros, sairemos todos mais enriquecidos! O meu trabalho é fundamentalmente autodidacta, com muita pesquisa (nos livros, na Internet, no laboratório real e, agora, no virtual). Apesar das dificuldades do ensino, nunca desisti, e não vou desistir. Acredito que este país irá saber dar a volta por cima ! Depende de cada um de nós!
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