A Prainha Junto À Pedra Do Guilhim

A Pedra do Guilhim é um rochedo grande situado no mar em frente ao Promontório da Nazaré, ambos de origem tectónica e ligados à formação do Canhão da Nazaré. É uma das imagens de marca da Nazaré, incluída na maioria dos postais ilustrados que circulam sobre a Nazaré. É esta Pedra que leva o primeiro embate das ondas, antes de se desfazerem sobre o Promontório. Daí que, ao longo dos anos, muitos ditos e provérbios tenham sido proferidos fazendo referência a esta Pedra, como por exemplo: ‘ Que tenhas tanto sossego como tem a Pedra do Guilhim, em dia de mar levadio’ (praga que se roga a quem não se gosta); ‘Dei tantas voltas à cabeça, como as voltas de mar que já caíram sobre a Pedra do Guilhim’; e muitos outros que os nazarenos e amigos da Nazaré conhecem.

Acontece que, de tempos a tempos, a Natureza resolve brindar os Nazarenos com a formação de uma Prainha mesmo junto à Pedra do Guilhim e ao Promontório, local que habitualmente está debaixo de água, com vários metros de profundidade. Sendo um acontecimento não muito frequente, é por isso motivo de notícia e de interesse para todos.

Prainha junto à Pedra do Guilhim

Prainha junto à Pedra do Guilhim – Grupo de jovens nazarenos que me pediu para os fotografar!!

Nos últimos anos, o assoreamento tem sido mais frequente do que era usual, visto que antes se passavam muitos anos sem se ver areia no local.

Segundo dizem os entendidos, a sua formação, geralmente em agosto, deve-se a determinadas correntes marítimas, com mar calmo, que atiram as areias da Praia de Norte para ali.

Em 1998, verificou-se um grande assoreamento, que foi bastante publicitado, tendo-se enchido a Prainha de gente, tirado muitas fotos no local e imprimido postais, posters, etc. Ainda tenho em casa um desses posters.

Contam os mais velhos que houve um ano (ou mais do que um) em que se verificou um assoreamento tal que a Praia de Norte ficou ligada por areia à Praia da Nazaré, por onde passava muita gente e até juntas de bois.

Sempre que isso acontece, é ver os veraneantes a percorrerem o areal junto às rochas até o mais longe que o mar permitir.

Este ano de 2013, em meados de agosto, voltou a formar-se lá uma Prainha que eu aproveitei, logo que me apercebi, para ir lá registar o acontecimento. Fui de carro até ao farol, deixei o carro por cima do Forno de Orca, perto do farol, desci ao areal, contornei o Promontório, passei para o lado de Norte e ‘voilá’ – lá estava a Prainha, em vez da água, com a Pedra do Guilhim seca do lado de terra. Muita gente andava já apanhar percebes, visto que aquela zona é riquíssima neste alimento – e até eu apanhei alguns. Tirei umas fotos para registar o acontecimento e provar que lá tinha estado.

Aliás, também tirei fotos a um grupo de jovens nazarenos que ali nadavam, certamente atraídos pelo fenómeno ocorrido, e que me pediram para os fotografar, registando a ocorrência. Assim, já podem, daqui por uns anos, mostrar aos seus netinhos e dizerem-lhes ‘Quando eu era mais novo, estive na Prainha com amigos e estivemos lá a nadar’! Se os netinhos estiverem com dúvidas, e começarem a dizer ‘Ó avô, isso é mesmo verdade? Não é tanga? …..’ põem-lhes as fotos à frente do nariz e pumba!!! ….. acabam-se as dúvidas. Se mesmo assim, começarem a dizer ‘Ah, isso são manipulações digitais e tal ……’, aí, mostram-lhes este link do Facebook e fica o problema definitivamente resolvido:

https://www.facebook.com/josevcmatias/media_set?set=a.10200321534190009.1073741846.1503883586&type=3.

É que as dúvidas têm limites! Só espero é que, até lá, o Facebook não feche as portas!! Eh, ehhhh!! 🙂

Nota – Leia também os artigos: ‘O que é o Canhão da Nazaré’ (http://josematias.pt/eletr/o-que-e-o-canhao-da-nazare/); ‘Biografia de Zé da Palacida – Pescador na Praia da Nazaré’ (http://josematias.pt/eletr/livro-biografia-de-ze-da-palacida/); ‘A Nazaré e o futuro’ (http://josematias.pt/eletr/a-nazare-e-o-futuro/).

6 de Setembro de 2013
José Vagos Carreira Matias
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www.josematias.pt/eletr
www.facebook.com/jvcmatias

http://jvcmatias.blogspot.pt/

Sobre josematias

Licenciado em Engenharia Electrotécnica, ramo Energia e Potência, pelo
I.S.T., em 1977, cedo comecei a leccionar no Ensino Secundário, desde 1975
até à data.
A falta, então existente, de material didáctico para o apoio das aulas
teóricas e práticas da área de Electrotecnia/Electrónica, fez despertar a
necessidade de produzir textos de apoio para os alunos que, em colaboração
com o colega Ludgero Leote, permitiu que fossem publicados os livros
‘Automatismos Industriais – Comando e regulação’, ‘Sistemas de Protecção
Eléctrica’ e ‘Produção, Transporte e Distribuição de Energia’, em 1981/2/3. A
partir daí, nunca mais parei de escrever, o que para mim é um prazer! O colega
Leote, com outros interesses diversificados, desistiu de escrever para
publicação.
Escrevi ainda o livro Máquinas Eléctricas-Transformadores com o colega
José Rodrigues que, entretanto, se deslocou para o Portugal ‘profundo’ (um
abraço)!
Tive uma curta experiência como Orientador Pedagógico, à
Profissionalização, no Alentejo, muito interessante, mas que não foi suficiente
para deixar o contacto directo com o aluno, e com os livros, os quais saem
bastante enriquecidos com esse contacto permanente. Na verdade, é bem
verdadeiro o velho ditado “ao ensinar, aprende-se duas vezes”. É esta a
principal razão para continuar com o giz e o apagador, e não dentro de um
qualquer gabinete, apesar dos problemas actuais do nosso ensino. Se, cada um
de nós, dentro das suas possibilidades, características e competências, dermos
algo aos outros, sairemos todos mais enriquecidos!
O meu trabalho é fundamentalmente autodidacta, com muita pesquisa (nos
livros, na Internet, no laboratório real e, agora, no virtual). Apesar das
dificuldades do ensino, nunca desisti, e não vou desistir. Acredito que este
país irá saber dar a volta por cima ! Depende de cada um de nós!

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