Cuidados a ter com a eletricidade!

 A Eletricidade que temos nas instalações elétricas das nossas casas ou nos locais de trabalho é um bem que, hoje, já não conseguimos dispensar, pela enorme quantidade de serviços e de conforto que nos proporciona no nosso dia-a-dia. É o computador, é a impressora, é o telemóvel, é a máquina de lavar, é a televisão, é a máquina de fazer sumos ou de centrifugar, etc., etc.. Ninguém pensa, hoje, prescindir dela!

Sendo de facto um produto de inegável utilidade, comporta, contudo, alguns riscos que convém evitar, de forma a preservarmos a nossa saúde e bem-estar. Com efeito, se tocarmos directamente na fase de uma instalação elétrica de baixa tensão (230V / 50 Hz), uma de várias coisas nos pode acontecer: um pequeno ou médio choque eléctrico, sem consequências de maior, para além do susto; formigueiro perceptível na língua; formigueiro perceptível nos dedos; sensação de insensibilidade na mão; aumento da tensão arterial; tetanização da mão e antebraço (a mão fica agarrada ao condutor); aumento do ritmo cardíaco, tornando-se irregular; o coração deixa de bater; tetanização dos músculos pulmonares e paragem da respiração; fibrilação ventricular (descoordenação do músculo cardíaco) que pode levar à morte se a reanimação não resultar.

Outras situações de choque elétrico ocorrem quando existe um contacto indirecto, como é o caso de se tocar na carcaça (invólucro) de um dado eletrodoméstico que tem uma avaria interna.

Na verdade, não é apenas o contacto elétrico com o condutor ou com a carcaça do recetor que causa os estragos, mas estes dependem também das circunstâncias em que se efetuam esses contactos, nomeadamente: a resistência elétrica do corpo humano (que varia de pessoa para pessoa; há pessoas que têm uma resistência elétrica de tal forma elevada que conseguem tocar na fase despreocupadamente, sentindo apenas um ligeiro formigueiro); o trajeto da corrente elétrica pelo corpo humano (o trajeto mais usual é entrar por um braço e sair pelas pernas que estão em contacto com o chão, mas pode entrar pelo braço direito ou pelo braço esquerdo e pode sair por uma perna só, direita ou esquerda, apanhando ou não o coração ou outro órgão mais sensível, etc.); o tipo de calçado usado pela vítima (se o calçado for bastante isolador, a vítima pode não sentir nada); o corpo estar seco ou molhado (quanto mais húmido, pior); etc..

Daquilo que acabámos de referir e do que é sugerido, resulta um conjunto de cuidados que é necessário ter com as instalações elétricas:

  1. Se possível, não manipular aparelhos elétricos quando estiver descalço(a). Quanto mais isolador for o calçado, melhor (a borracha é um excelente isolador).
  2. Se substituir fichas, tomadas, interruptores, desligue previamente o disjuntor respetivo.
  3. Nunca toque em pontos da instalação elétrica ou dos eletrodomésticos ligados, com as mãos húmidas ou molhadas.
  4. Se tem crianças em casa, verifique se as tomadas são ‘tomadas de obturador’, isto é, com os alvéolos fechados, só abrindo quando se introduzem os dois pernes (contactos) da ficha respetiva. Se não forem, substitua-as. Não queira arrepender-se depois!
  5. Não desenrosque uma lâmpada com o circuito ligado. Desligue, primeiro, o disjuntor no Quadro Elétrico.
  6. Se uma máquina de lavar começa a perder água, convém desligá-la e mandar repará-la. Nunca se sabe se ela não vai entrar em contacto com os condutores elétricos que a alimentam, podendo provocar choques elétricos.
  7. Se verificar que um dado eletrodoméstico começa a dar choque elétrico, desligue-o e mande repará-lo antes de voltar a ligá-lo. Se dá choque é porque existe uma avaria interna, a qual tem tendência a agravar-se.
  8. Se se vai ausentar durante alguns dias, deixe ligados apenas os disjuntores indispensáveis, nomeadamente o do frigorífico e/ou da arca frigorífica.
  9. Evite a utilização de aparelhagem elétrica dentro das casas de banho, principalmente junto de lavatórios e banheiras. Nunca utilize aparelhos elétricos (como por exemplo o secador) quando se encontra dentro da banheira com água.
  10. Quando utiliza eletrodomésticos com cabos compridos (aspirador, ferro de engomar, extensões, etc.), evite pisá-los, principalmente se estiver descalço(a).
  11. Quando pretender desligar um eletrodoméstico, não puxe pelo cabo, mas sim pela ficha respetiva.
  12. Antes de ligar um eletrodoméstico novo, leia primeiro as suas instruções.
  13. Não mexa no interior de uma TV, mesmo que esteja desligada.
  14. Evite sobrecarregar em demasia os circuitos elétricos, pois os condutores e a aparelhagem vão-se degradando mais rapidamente devido ao aumento de temperatura.
  15. Ensine aos seus filhos e netos os cuidados a ter com a eletricidade!

 

Boas Práticas Elétricas!

‘O seguro morreu de velho!

José Vagos Carreira Matias 

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Sobre josematias

Licenciado em Engenharia Electrotécnica, ramo Energia e Potência, pelo I.S.T., em 1977, cedo comecei a leccionar no Ensino Secundário, desde 1975 até à data. A falta, então existente, de material didáctico para o apoio das aulas teóricas e práticas da área de Electrotecnia/Electrónica, fez despertar a necessidade de produzir textos de apoio para os alunos que, em colaboração com o colega Ludgero Leote, permitiu que fossem publicados os livros ‘Automatismos Industriais – Comando e regulação’, ‘Sistemas de Protecção Eléctrica’ e ‘Produção, Transporte e Distribuição de Energia’, em 1981/2/3. A partir daí, nunca mais parei de escrever, o que para mim é um prazer! O colega Leote, com outros interesses diversificados, desistiu de escrever para publicação. Escrevi ainda o livro Máquinas Eléctricas-Transformadores com o colega José Rodrigues que, entretanto, se deslocou para o Portugal ‘profundo’ (um abraço)! Tive uma curta experiência como Orientador Pedagógico, à Profissionalização, no Alentejo, muito interessante, mas que não foi suficiente para deixar o contacto directo com o aluno, e com os livros, os quais saem bastante enriquecidos com esse contacto permanente. Na verdade, é bem verdadeiro o velho ditado “ao ensinar, aprende-se duas vezes”. É esta a principal razão para continuar com o giz e o apagador, e não dentro de um qualquer gabinete, apesar dos problemas actuais do nosso ensino. Se, cada um de nós, dentro das suas possibilidades, características e competências, dermos algo aos outros, sairemos todos mais enriquecidos! O meu trabalho é fundamentalmente autodidacta, com muita pesquisa (nos livros, na Internet, no laboratório real e, agora, no virtual). Apesar das dificuldades do ensino, nunca desisti, e não vou desistir. Acredito que este país irá saber dar a volta por cima ! Depende de cada um de nós!
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