Detetar E Reparar Avarias Na Instalação Elétrica

Avarias em instalações eléctricas são situações que ocorrem com alguma frequência, para mal dos nossos pecados. Quem não apanhou já um choque eléctrico? Quem não  ficou já arreliado por ter ficado sem luz, na sequência de uma avaria na instalação eléctrica? São transtornos como estes que nos levam a querer saber mais sobre as avarias nas instalações eléctricas.

Com efeito, são múltiplas as situações que denunciam a existência de algo de anormal na nossa instalação elétrica ou na nossa aparelhagem elétrica. Vejamos alguns exemplos de defeitos ou avarias, mais comuns, nos nossos circuitos elétricos, e que todos nós já presenciámos:

  1. É a torradeira que nos prega um grande susto, provocando um choque eléctrico quando tocamos nela.
  2. É o ferro eléctrico de engomar que não está para brincadeiras e repele-nos a mão logo que tocamos em alguma parte metálica do ferro.
  3. É a máquina de lavar, louça ou roupa, que nos diz ‘chega para lá, que hoje não quero aturar-te’, ao mesmo tempo que nos prega um valente susto.
  4. É o disjuntor diferencial que dispara (desliga), querendo dizer-nos que houve, algures, uma fuga de corrente.
  5. É o disjuntor magnetotérmico parcelar (o mais pequeno) que dispara, significando que houve um curto-circuito ou excesso de receptores ligados nesse circuito; etc..
  6. É o disjuntor magnetotérmico que dispara mesmo quando ligamos uma simples batedeira elétrica, em bom estado, significando que há excesso de corrente no circuito respetivo – trata-se uma sobrecarga.

Como é fácil de compreender, há muitas situações de defeitos ou avarias que podem ocorrer numa instalação eléctrica. Como detectar e reparar então estas avarias?

As principais avarias que podem ocorrer numa instalação eléctrica são de dois tipos:

  • Avarias ou defeitos por correntes de fuga
  • Avarias ou defeitos por sobreintensidades

As avarias ou defeitos por correntes de fuga são as que originam choques elétricos quando tocamos nos receptores ligados à rede elétrica, como por exemplo, ao tocarmos na torradeira, no ferro elétrico de engomar, nas máquinas de lavar, etc.. Nestas situações, o disjuntor diferencial acaba por disparar, mais cedo ou mais tarde. Na verdade, ele só dispara quando a corrente de fuga (Id) ultrapassa um dado valor de regulação (Ir) do disjuntor diferencial (ou do interruptor diferencial), isto é, quando Id > Ir (desde que a instalação eléctrica esteja convenientemente ligada à terra). Existem disjuntores diferenciais de diferentes sensibilidades, nomeadamente: 30 mA, 100 mA, 300 mA, 500 mA, etc.. Assim, um disjuntor de 30 mA, por exemplo, só dispara quando a corrente de fuga for maior do que a sensibilidade do disjuntor. Quando isso acontecer, há que desligar o receptor com avaria (para ser reparado) e, só depois, voltar a ligar o disjuntor diferencial (ou o interruptor diferencial).

As avarias por sobreintensidades podem ser de dois tipos: por sobrecargas e por curtos-circuitos. A protecção contra sobreintensidades é efectuada por disjuntores magnetotérmicos.

A sobrecarga ocorre quando há demasiados receptores ligados num dado circuito, fazendo com que a intensidade de corrente absorvida I seja maior do que a corrente estipulada In do disjuntor magnetotérmico, isto é,  quando se verifica I > In. Neste caso, a solução consiste em desligar alguns receptores deste circuito e voltar a ligar o disjuntor magnetotérmico. Existem disjuntores magnetotérmicos com diferentes correntes estipuladas, nomeadamente: 10 A, 16 A, 25 A, etc.. Um disjuntor de 10 A, por exemplo, só dispara quando a corrente ultrapassa o valor da corrente estipulada, que é 10 A.

Os curtos-circuitos ocorrem quando há, por defeito, um contacto elétrico entre a fase e o neutro, dentro do receptor ou na própria canalização elétrica que os alimenta. Nesta situação, temos que investigar se a avaria é na canalização (situação menos usual) ou num dos receptores e, neste caso, qual é o receptor que está a provocar a avaria. Também nesta situação, o disjuntor magnetotérmico só actua quando a corrente ultrapassa a corrente estipulada do disjuntor.

Para efectuarmos convenientemente esta investigação, convém que conheçamos os pontos de utilização de cada circuito eléctrico, isto é, as tomadas, as lâmpadas ou os receptores de aquecimento que estão ligados a esse circuito. Depois, fazemos uma inspecção visual (e/ou olfactiva) em cada um dos receptores e pontos de ligação. Se não detectarmos nada de anormal através desta inspecção, então temos sempre a solução de desligar todos os receptores e utilizar a seguinte metodologia de detecção e reparação das avarias (para ambos os disjuntores):

  1. Com os receptores todos desligados do circuito, ligamos o disjuntor que tinha disparado.

a)      Se ele voltar a desligar, então é porque a avaria é na canalização eléctrica do circuito respectivo, verificando-se aí um curto-circuito fase-neutro. Solução: chamar um técnico para efectuar a reparação no circuito.

b) Se ele não disparar, então o problema não é na canalização eléctrica, mas num dos receptores do circuito –  passa-se ao ponto seguinte.

  1. Liga-se um dos receptores ao circuito.

a)      Se o disjuntor disparar, então o defeito está nesse receptor. Deve mandar reparar o receptor. Por precaução, ligue também todos os outros receptores, um a um, aos seus pontos de utilização, para se certificar de que não há mais nenhum receptor com avaria.

b) Se não disparar, então passa-se ao ponto seguinte.

  1. Liga outro receptor e repete os procedimentos do ponto anterior e assim, sucessivamente, até encontrar o receptor avariado.

José Vagos Carreira Matias

www.josematias.pt

https://www.facebook.com/jvcmatias

Sobre josematias

Licenciado em Engenharia Electrotécnica, ramo Energia e Potência, pelo
I.S.T., em 1977, cedo comecei a leccionar no Ensino Secundário, desde 1975
até à data.
A falta, então existente, de material didáctico para o apoio das aulas
teóricas e práticas da área de Electrotecnia/Electrónica, fez despertar a
necessidade de produzir textos de apoio para os alunos que, em colaboração
com o colega Ludgero Leote, permitiu que fossem publicados os livros
‘Automatismos Industriais – Comando e regulação’, ‘Sistemas de Protecção
Eléctrica’ e ‘Produção, Transporte e Distribuição de Energia’, em 1981/2/3. A
partir daí, nunca mais parei de escrever, o que para mim é um prazer! O colega
Leote, com outros interesses diversificados, desistiu de escrever para
publicação.
Escrevi ainda o livro Máquinas Eléctricas-Transformadores com o colega
José Rodrigues que, entretanto, se deslocou para o Portugal ‘profundo’ (um
abraço)!
Tive uma curta experiência como Orientador Pedagógico, à
Profissionalização, no Alentejo, muito interessante, mas que não foi suficiente
para deixar o contacto directo com o aluno, e com os livros, os quais saem
bastante enriquecidos com esse contacto permanente. Na verdade, é bem
verdadeiro o velho ditado “ao ensinar, aprende-se duas vezes”. É esta a
principal razão para continuar com o giz e o apagador, e não dentro de um
qualquer gabinete, apesar dos problemas actuais do nosso ensino. Se, cada um
de nós, dentro das suas possibilidades, características e competências, dermos
algo aos outros, sairemos todos mais enriquecidos!
O meu trabalho é fundamentalmente autodidacta, com muita pesquisa (nos
livros, na Internet, no laboratório real e, agora, no virtual). Apesar das
dificuldades do ensino, nunca desisti, e não vou desistir. Acredito que este
país irá saber dar a volta por cima ! Depende de cada um de nós!

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5 respostas a Detetar E Reparar Avarias Na Instalação Elétrica

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    sem perceber muito de electricidade,tive recentemente uma dessas avarias,fiz como aqui ensina,e assunto resolvido avaria detectada.
    QUEM sabe sabe.
    muito obrigado.

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