Garrett McNamara – Lobo do Mar

Garrett McNamara ou GMac, como é conhecido pelos amigos, publicou o livro ‘Hound of the Sea’, traduzido e publicado em Portugal com o título de ‘Lobo do Mar’.

O homem das ondas grandes, ou big waves, que veio desafiar as enormes ondas do Canhão da Nazaré, está de parabéns com este seu primeiro livro. É um livro muito interessante, emocionante, aqui e ali, que conta a sua vida atribulada nos EUA, desde a infância, sempre saltando de terra em terra, com os pais, depois com a mãe (quais nómadas em território americano), a que se seguiu a paixão pelo surf, até ao momento presente. Aqui, em Portugal, a sua vida de infância é comparável à vida nómada dos ciganos – aliás, a sua mãe era alcunhada de ‘gitana’ (cigana), conforme GMac afirma no seu livro.

Garrett McNamara

Quase sempre com dificuldades económicas, pois sempre quis viver do surf – o que não era, nem é, fácil para a generalidade dos surfistas. Só alguns consagrados o conseguiam, e conseguem. Mas ele nunca desistiu do seu intento – sempre procurou forma de ultrapassar essas dificuldades – no mar e em terra.

Percebeu então que, para o seu estilo e competências pessoais, só as ondas gigantes o poderiam destacar dos demais. Àquelas ondas gigantes, que amedrontavam e afugentavam a maioria dos surfistas, ele conseguia olhá-las de frente. Não é que não tivesse medo delas, mas a grande qualidade de GMac era o controlo mental do medo, que aprendeu a utilizar no momento próprio. Como ele diz no livro, ‘é a nossa mente que produz o medo’ e, portanto, será a nossa mente que tem de o controlar e afugentar.

Com Nicole Macias, hoje McNamara – casaram-se no farol da Nazaré , em frente ao local onde surfou a maior onda gigante, no Canhão -, encontrou o apoio e o equilíbrio que precisava na sua vida.

Parabéns Garrett e Nicole!

Se o encontrar na Nazaré, hei-de pedir-lhe um autógrafo no livro que comprei. Um livro que vale a pena ler, pelos ensinamentos que dele se podem tirar. Penso que os jovens podem aprender muito com a sua determinação e luta contra as adversidades, deste homem corajoso e humilde, que se apaixonou pela Nazaré e quer retribuir o que a Nazaré lhe proporcionou.

A famosa onda de 23,8 metros, surfada no Canhão da Nazaré, em Novembro de 2011, valeu-lhe então o título de ‘maior onda surfada no Planeta’, atribuído por um painel de peritos do surf, o qual se juntou para determinar a verdadeira altura da onda.

Onda gigante de Garrett McNamara

Este Canhão (ou Cana, como sempre foi conhecido pelos pescadores da Nazaré), profundo, que servia de referência aos pescadores (ler livro ‘Biografia de Zé da Palacida’ – Pescador na Praia da Nazaré, que retrata a vida antiga na Nazaré, ligada ao mar e ao Canhão), quando procuravam os melhores pesqueiros, desde há mais de duzentos anos, e que produzia ondas gigantes sempre que se verificavam certas condições meteorológicas, estava destinado a fazer, um dia, história. Só não se sabia quando.

Esse foi o grande mérito de Garrett McNamara – colocou o Canhão e a Nazaré no mapa do mundo, trazendo até ele milhares e milhares de forasteiros. Seja inverno ou verão, é ver o corropio de forasteiros a quererem conhecer o Canhão das ondas gigantes.

Penso que ainda é cedo para se perceber o verdadeiro impacto da onda surfada por McNamara. Vai levar ainda mais alguns anos até se tornar um verdadeiro ritual vir à Nazaré conhecer o Canhão. A Nazaré já era muito conhecida em Portugal e no estrangeiro, pelo seu tipicismo, pela mulher das sete saias, mas passou a ser muito mais depois de McNamara. A onda gigante correu mundo, passou em todas as estações de televisão e propagou-se pela blogosfera e pelas redes sociais. Outras ondas semelhantes já ocorreram, entretanto. Hoje, já o Promontório se enche de visitantes logo  que a meteorologia refere a existência de condições para a ocorrência de ondas maiores – todos querem ver, in loco, as ondas grandes e os corajosos lobos do mar.

Com GMac, têm vindo à Nazaré muitos nomes consagrados do surf mundial. E não pode também deixar de se lembrar todos os jovens que têm sido, e continuarão a ser, influenciados pelo feito de McNamara.

A Nazaré deve a GMac o grande impulso no turismo que tanto procurava, e merecia, e GMac deve à Nazaré o empurrão que procurava na sua vida, para obter finalmente uma situação económica familiar mais desafogada. Ambos são dignos um do outro e merecem-no.

GMac não esquece a Nazaré e a Nazaré não esquecerá mais Garrett McNamara.

9 de Abril de 2017

José V C Matias

Sobre josematias

Licenciado em Engenharia Electrotécnica, ramo Energia e Potência, pelo I.S.T., em 1977, cedo comecei a leccionar no Ensino Secundário, desde 1975 até à data. A falta, então existente, de material didáctico para o apoio das aulas teóricas e práticas da área de Electrotecnia/Electrónica, fez despertar a necessidade de produzir textos de apoio para os alunos que, em colaboração com o colega Ludgero Leote, permitiu que fossem publicados os livros ‘Automatismos Industriais – Comando e regulação’, ‘Sistemas de Protecção Eléctrica’ e ‘Produção, Transporte e Distribuição de Energia’, em 1981/2/3. A partir daí, nunca mais parei de escrever, o que para mim é um prazer! O colega Leote, com outros interesses diversificados, desistiu de escrever para publicação. Escrevi ainda o livro Máquinas Eléctricas-Transformadores com o colega José Rodrigues que, entretanto, se deslocou para o Portugal ‘profundo’ (um abraço)! Tive uma curta experiência como Orientador Pedagógico, à Profissionalização, no Alentejo, muito interessante, mas que não foi suficiente para deixar o contacto directo com o aluno, e com os livros, os quais saem bastante enriquecidos com esse contacto permanente. Na verdade, é bem verdadeiro o velho ditado “ao ensinar, aprende-se duas vezes”. É esta a principal razão para continuar com o giz e o apagador, e não dentro de um qualquer gabinete, apesar dos problemas actuais do nosso ensino. Se, cada um de nós, dentro das suas possibilidades, características e competências, dermos algo aos outros, sairemos todos mais enriquecidos! O meu trabalho é fundamentalmente autodidacta, com muita pesquisa (nos livros, na Internet, no laboratório real e, agora, no virtual). Apesar das dificuldades do ensino, nunca desisti, e não vou desistir. Acredito que este país irá saber dar a volta por cima ! Depende de cada um de nós!
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