NAZARÉ – CRONOLOGIA DOS FACTOS MAIS IMPORTANTES

(in Livro ‘Biografia de Zé da Palacida’ – Pescador na Praia da Nazaré: http://www.josematias.pt/eletr/biografia_de_ze_da_palacida2/) 

711 – Foi trazida para o Sítio da Nazaré por Frei Romano uma imagem de Nossa Senhora da Nazaré, uma virgem negra, esculpida em madeira, trazida de Mérida, que foi colocada numa ermida no Promontório, perto do precipício.

1182 – Milagre de D Fuas Roupinho. Ele invocou a Santa e o cavalo estacou, à beira do precipício, no Sítio da Nazaré.

1282 – Paredes (Praia da Vitória) teve foral em 1282, dada por D. Dinis.

1377 – O Rei D. Fernando mandou construir no Sítio da Nazaré um Santuário da Nossa Senhora da Nazaré. No início do século XVII, iniciou-se a reconstrução do Santuário, obtendo-se a forma definitiva da Igreja atual.

 1514 – Criado o Concelho da Pederneira, por D Manuel  I. Há referências que indicam que a Pederneira é muito mais antiga.

1557 a 1578 – Foi construído o Forte da Nazaré ou Forte São Miguel Arcanjo, no reinado de D Sebastião, para defesa do povoado da Pederneira, onde era feito o transporte da madeira do pinhal de Leiria para a construção das Caravelas Portuguesas.

Século XVI – O porto de abrigo natural de Paredes assoreou e a sua comunidade piscatória deslocou-se para a Pederneira, abrigando-se na Lagoa da Pederneira.

1682 – Ainda não havia nenhuma habitação na Praia da Nazaré – há cerca de 330 anos. A Lagoa da Pederneira que inundava os campos da Cela, Valado de Frades, até à Maiorga e circundava toda a encosta da Pederneira, tinha começado a ficar seca, em virtude do assoreamento dos seus terrenos.

1780 – Existiam na Praia da Nazaré cerca de 50 cabanas de madeira, construídas pelos ilhavenses, para guardarem os seus apetrechos de pesca – há 230 anos. Devido aos ataques dos argelinos e holandeses, eles dormiam no Sítio e na Pederneira.

1790 – A colónia de ilhavenses na Nazaré já era elevada, pagando a dízima aos Frades de Alcobaça, a quem pertencia toda esta zona. Em cada 20 peixes pescados, um peixe era para os Frades de Alcobaça.

1807 – Com as Invasões Francesas, a Igreja da Nossa Senhora da Nazaré foi saqueada e foram queimados barcos e casas.

1827 – Foi criada a Real Casa da Nossa Senhora da Nazaré, que mandou construir o Hospital da Nazaré.

1834 – As ordens religiosas são extintas e o imposto que cobravam sobre o pescado também.

1874 – Grande incremento na construção de casas na Praia da Nazaré

1879 – Ainda não havia calçadas na Nazaré

1885 – Existiam na Nazaré 7 redes da Arte Xávega (netas) e 8 barcos de bicos da Arte Xávega.

1885 – Foi inaugurada a primeira Fábrica de Conservas de Sardinhas da Nazaré.

1888 – Foi inaugurado o primeiro edifício de Banhos Quentes na Nazaré, em 24 de julho

1889 – Inaugurado o Elevador entre a Praia da Nazaré e o Sítio da Nazaré

1891 – Começou o calcetamento da marginal, na zona norte da Nazaré.

1892 – Foi inaugurada a primeira armação valenciana, pertencente à Parceria União de Pesca da Nazaré.

1893 – É publicado o Regulamento de Pesca Marítima em 14 de maio.

1895 – Ano em que chegou a Portugal o primeiro automóvel. No entanto, só depois de 1910, com a criação das linhas de montagem, por Ford, nos EUA e depois na Europa, se começou a produzir em série.

1897 – Os barcos de carreira (catraios) foram proibidos pela Capitania da Nazaré, por inavegabilidade. Foram substituídos pelos batéis.

1898 – Foi inaugurado o primeiro galeão na Nazaré, pertencente a António Raposo, com cerco americano. Era um barco pesado, com 15 a 20 metros, companha grande (cerca de 20 homens), com 5 a 6 barcas associadas. Geralmente ficava nas Bóias. Não vinha a terra.

1901 – Primeira referência escrita sobre a necessidade de construção de um Porto de Abrigo na Nazaré, em 12 de junho de 1901.

1901 – Criação, pelo rei D. Carlos, de um imposto de 1% sobre o pescado, para a construção de um paredão na marginal.

1903 – Foi instalado o farol no Forte da Nazaré, para auxiliar a navegação.

1903 – É publicado o regulamento Geral de Pesca da Sardinha.

1904 – Iniciou-se a construção do Paredão da Nazaré, junto à Rua dos Calafates

1907 – O Paredão da Marginal já tinha 270 metros de comprimento – desde a Rua dos Calafates até à Praça Sousa Oliveira.

1908 – Foi construído a primeira Barca Salva-Vidas da Nazaré, chamado Nossa Senhora dos Aflitos, pelo calafate António Carmo Oliveira ou António Cigano

1908 – Foi inaugurada a primeira embarcação a motor na Nazaré, funcionando a petróleo, adquirida por Cândido Rodrigues. Não teve continuidade na construção de outros barcos semelhantes.

1910 – Começou a ser montada a tubagem para o fornecimento de água canalizada na Nazaré

1911 – A grafia da palavra Nazareth passa a ser Nazaré.

1914 – Início da construção do paredão junto à Capitania.

1914 a 1918 – Dá-se a 1ª Grande Guerra Mundial. Muitos nazarenos foram mobilizados e morreram nos campos de França.

1917 – Foram construídos mais 100 metros de Paredão, desde a Rua dos Calafates até à Avenida Vieira Guimarães.

1917 – Construção da rampa-sul, em frente à Avenida Vieira Guimarães, para a subida e descida dos barcos, em caso de temporal.

1920 – Fundada a empresa Algarve Exportador, por Agostinho Fernandes, que laborou até à década de 1980.

1924 – Existem na Nazaré 124 companhas da Arte Xávega (o auge).

1924 – Foi fundado o Grupo Desportivo ‘Os Nazarenos’ em 4 de setembro.

1925 – Zé da Palacida nasce em 12 de setembro de 1925.

1927 – Inaugurada a eletricidade na Nazaré.

1927 a 1932 – Foram elaborados quatro estudos para a construção do Porto de Abrigo na Nazaré.

1928 – Varou ao mar a 1ª Traineira da Nazaré, com motor de explosão, montada por António Venâncio. Dois anos depois, já havia 40 destas embarcações, o que desenvolveu bastante a Indústria Naval destas embarcações, na Nazaré.

1928 – Existiam 2500 pescadores matriculados e 500 barcos.

1929 – Construção da rampa-norte, em frente à Praça Sousa Oliveira, para a subida e descida dos barcos, em caso de temporal.

1929 – Começam as filmagens da película ‘Maria da Nazaré’ de Leitão de Barros.

1930 – A Nazaré passou a ser servida pela camioneta de passageiros e cargas que fazia o trajeto Leiria-Lisboa e Lisboa-Leiria.

1931 – Existiam 4123 pescadores matriculados

1932 – Em dezembro de 1932, davam-se cerca de 2000 sopas na Câmara da Nazaré, em virtude de haver muita fome nesta altura, com invernos rigorosos.

1934  – Foi fundado o rancho folclórico Tá Mar da Nazaré, em 8 de Dezembro

1936 – Foi retirada a última Armação de pesca, pertencente à Parceria Fraternidade, em 31 de outubro

1939 a 1945 – Dá-se a 2ª Grande Guerra Mundial

1938 – Zé da Palacida tirou a Cédula Marítima em 1938 – tinha 13 anos.

1938 – Foi inventado o fio de nylon. Antes, os fios de pesca eram feitos em: algodão, seda, lã, sisal e linho.

1939 – Zé da Palacida começou a andar ao mar em 1939 – tinha 14 anos

1941 – Inaugurada a Casa dos Pescadores, a Farmácia dos Pescadores, bem como o Bairro dos Pescadores e a Lota da Nazaré, no areal, tudo pertencente à Casa dos Pescadores e esta à Junta Central das Casas dos Pescadores. Os pescadores passaram a ter direito a assistência médica e medicamentosa.

1945 – Estão matriculados perto de 100 barcos de pesca na Arte Xávega

1947 – Zé da Palacida  foi trabalhar para a lota no areal, em Março – tinha 21 anos. Esteve 11 anos na lota do areal.

1948 – Foi produzido em França o primeiro carreto de pesca, à esquerda, pela Mitchel, para ser comercializado em toda a Europa.

1949 – Zé da Palacida casa-se com Ernestina Vagos Pescadinha. Vão morar para a Rua José Sousa Lobo. Estiveram lá cerca de um ano, tendo passado para a Rua da Liberdade.

1950 – Zé da Palacida e a família foram morar para a Rua da Liberdade, onde estiveram até 1969.

1950 – Nasce o 1º filho  ao casal – Ernestina Vagos Carreira Matias.

1953 – Morre o pai  de Zé da Palacida  – Zé da Constança – em Janeiro de 1953.

1953 – Nasce o 2º filho  ao casal – José Vagos Carreira Matias

1955 – Nasce o 3º filho  ao casal – João José Vagos Matias

1955 – Zé da Palacida compra o primeiro carreto de pesca.

1957 – Zé da Palacida compra a 1ª bicicleta para ir pescar para a Praia da Vitória – tinha 32 anos. Cerca de dois anos depois, compra a 1ª motorizada.

1957 – A Rainha Isabel II visitou a Nazaré, em 20 de fevereiro

1958 – Inauguração da lota fora do areal, junto à marginal, em 24 de dezembro de 1958, onde esteve 14 anos a trabalhar no escritório.

1960 – Foi criado o grupo Danças e Cantares ‘Mar Alto’, em setembro de 1960.

1960 – Zé da Palacida  compra a 1ª motorizada Zundap e o sobrinho José Balau compra outra. Começam a pescar em conjunto.

1966 – Morre a mãe de Zé da Palacida, Plácida Carreira.

1967 – Zé da Palacida compra o trespasse da taberna na Rua das Traineiras

1970 – Morre a sogra de Zé da Palacida,  Rita Vagos.

1970 – Zé da Palacida mandou construir o prédio, no terreno da taberna e de uma das cabanas.

1971 – Zé da Palacida realiza a maior pescaria à cana, alguma vez realizada na Foz do Arelho.

1972 – Zé da Palacida  pede a demissão da Lota – tinha 47 anos de idade.

1972 – Zé da Palacida  tira a carta de condução e compra o 1º automóvel, no mesmo dia.

1973 – Zé da Palacida abre a Casa de Artigos Regionais, no lugar da taberna.

1974 – Dá-se a Revolução dos Cravos, no dia 25 de Abril

De 1889 a 1977 – Morreram 155 pescadores no mar da Nazaré

1978 – Zé da Palacida constrói o 1º Corrimão com Pingalins.

1978 – De cerca de 50 botes, antes do 25 de Abril de 1974, passou para 10 botes em 1978.

1985 – É inaugurado o Porto de Abrigo da Nazaré, bem como a nova Lota da Nazaré.

1987 – Morre Álvaro de Jesus Borda D ‘Água.

1993 – Morre Ernestina Vagos Pescadinha.

1997 – Foi criado o Grupo Etnográfico ‘Danças e Cantares da Nazaré’, em 25 de julho.

2012 – Em 16 de Maio de 2012, voltou a ser aprovado em sessão da Câmara Municipal da Nazaré, uma moção a ser enviada ao Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, para pedir a Regulamentação da Pesca com Corrimão.

2012 – Na Arte Xávega: de 15 companhas em 1886, passaram para 117 em 1924 (o máximo), 100 em 1945 e 0 em 2012. Atualmente, faz-se um lance da Arte Xávega anual, só para turista ver.

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Sobre josematias

Licenciado em Engenharia Electrotécnica, ramo Energia e Potência, pelo
I.S.T., em 1977, cedo comecei a leccionar no Ensino Secundário, desde 1975
até à data.
A falta, então existente, de material didáctico para o apoio das aulas
teóricas e práticas da área de Electrotecnia/Electrónica, fez despertar a
necessidade de produzir textos de apoio para os alunos que, em colaboração
com o colega Ludgero Leote, permitiu que fossem publicados os livros
‘Automatismos Industriais – Comando e regulação’, ‘Sistemas de Protecção
Eléctrica’ e ‘Produção, Transporte e Distribuição de Energia’, em 1981/2/3. A
partir daí, nunca mais parei de escrever, o que para mim é um prazer! O colega
Leote, com outros interesses diversificados, desistiu de escrever para
publicação.
Escrevi ainda o livro Máquinas Eléctricas-Transformadores com o colega
José Rodrigues que, entretanto, se deslocou para o Portugal ‘profundo’ (um
abraço)!
Tive uma curta experiência como Orientador Pedagógico, à
Profissionalização, no Alentejo, muito interessante, mas que não foi suficiente
para deixar o contacto directo com o aluno, e com os livros, os quais saem
bastante enriquecidos com esse contacto permanente. Na verdade, é bem
verdadeiro o velho ditado “ao ensinar, aprende-se duas vezes”. É esta a
principal razão para continuar com o giz e o apagador, e não dentro de um
qualquer gabinete, apesar dos problemas actuais do nosso ensino. Se, cada um
de nós, dentro das suas possibilidades, características e competências, dermos
algo aos outros, sairemos todos mais enriquecidos!
O meu trabalho é fundamentalmente autodidacta, com muita pesquisa (nos
livros, na Internet, no laboratório real e, agora, no virtual). Apesar das
dificuldades do ensino, nunca desisti, e não vou desistir. Acredito que este
país irá saber dar a volta por cima ! Depende de cada um de nós!

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