O que é o tirístor – Parte 2

Os SCRs funcionam com tensões que podem ir desde dezenas de volts aos milhares de volts e desde menos de 1A a mais de 2500A. Há, por isso, que escolhê-lo convenientemente. Visto que a junção porta-cátodo do SCR se comporta como um díodo, então a tensão mínima necessária a aplicar-lhe é de 0,7V. 

Os SCRs têm inúmeras aplicações em Electrónica de Potência, nomeadamente: controle de cargas resistivas (de iluminação e aquecimento), controle de cargas indutivas (motores de corrente contínua) e em muitas outras aplicações práticas diversificadas. Trabalham geralmente entre dois estados – condução e corte -, por isso são designados de dispositivos de comutação.

 Na tabela seguinte, apresentamos os valores de alguns SCRs.

S   C  R ‘ s

Designação

Irms (A)

U (V)

IG (mA)

Encapsulamento

2N5064

MCR 100-6

C 106 M

BT151-500 R

TIC 106

0,8

0,8

4

12

2

200

400

600

500

400

 

0,2

0,2

15

15

0,2

 

TO-92

TO-92

TO-126

TO-220

 

 

É importante que o leitor se esforce por interpretar o funcionamento do SCR, através da análise da respectiva curva característica!

 O SCR Th1 da figura  (em cc) conduz nas seguintes condições:

 1. Depois de ligarmos S1 e S2, variamos Rv até que IG atinja o valor mínimo de disparo indicado pelo fabricante.

2. Quanto maior for a tensão U aplicada ao SCR (UAK), menor poderá ser o valor de IG a aplicar na porta

3. Existe uma tensão máxima (UB0) para a qual não é necessário corrente de ‘gate’. Esta forma de condução do SCR não é, no entanto, aconselhável utilizar porque danifica progressivamente o tiristor.

4. Existe uma corrente mínima entre ânodo e cátodo – corrente de retenção IL – necessária para que o SCR comece a conduzir, normalmente.

5. Logo que o SCR começa a conduzir, a tensão aos seus terminais UAK baixa bruscamente, para valores da ordem de 0,5V a 2V  (ver curva característica), aumentando a corrente para o valor limitado pela carga L.

6. Se baixarmos a tensão aplicada à carga (variando a tensão da fonte), a corrente IAK baixará progressivamente até um valor mínimo – corrente de manutenção IH – a partir do qual o SCR deixa de conduzir.

7. O SCR não conduz em sentido contrário e, além disso, suporta uma tensão máxima inversa UBR.

8. Após iniciada a condução, o SCR mantém-se em condução se não houver qualquer alteração no circuito de carga. Nestas condições, podemos inclusivamente desligar a alimentação da porta (interruptor S2) que ele continuará a conduzir; isto é, o impulso na porta só é necessário para iniciar a condução, podendo posteriormente ser retirado, poupando-se a energia respectiva.

 

Funcionamento do tirístor

Funcionamento do tirístor

Leia também ‘o que é o tirístor (parte 1) no seguinte link.

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Sobre josematias

Licenciado em Engenharia Electrotécnica, ramo Energia e Potência, pelo
I.S.T., em 1977, cedo comecei a leccionar no Ensino Secundário, desde 1975
até à data.
A falta, então existente, de material didáctico para o apoio das aulas
teóricas e práticas da área de Electrotecnia/Electrónica, fez despertar a
necessidade de produzir textos de apoio para os alunos que, em colaboração
com o colega Ludgero Leote, permitiu que fossem publicados os livros
‘Automatismos Industriais – Comando e regulação’, ‘Sistemas de Protecção
Eléctrica’ e ‘Produção, Transporte e Distribuição de Energia’, em 1981/2/3. A
partir daí, nunca mais parei de escrever, o que para mim é um prazer! O colega
Leote, com outros interesses diversificados, desistiu de escrever para
publicação.
Escrevi ainda o livro Máquinas Eléctricas-Transformadores com o colega
José Rodrigues que, entretanto, se deslocou para o Portugal ‘profundo’ (um
abraço)!
Tive uma curta experiência como Orientador Pedagógico, à
Profissionalização, no Alentejo, muito interessante, mas que não foi suficiente
para deixar o contacto directo com o aluno, e com os livros, os quais saem
bastante enriquecidos com esse contacto permanente. Na verdade, é bem
verdadeiro o velho ditado “ao ensinar, aprende-se duas vezes”. É esta a
principal razão para continuar com o giz e o apagador, e não dentro de um
qualquer gabinete, apesar dos problemas actuais do nosso ensino. Se, cada um
de nós, dentro das suas possibilidades, características e competências, dermos
algo aos outros, sairemos todos mais enriquecidos!
O meu trabalho é fundamentalmente autodidacta, com muita pesquisa (nos
livros, na Internet, no laboratório real e, agora, no virtual). Apesar das
dificuldades do ensino, nunca desisti, e não vou desistir. Acredito que este
país irá saber dar a volta por cima ! Depende de cada um de nós!

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