O Que São Energias Alternativas

As energias alternativas são, como o nome sugere, energias que constituem uma alternativa às formas de energia que utilizam os combustíveis fósseis – petróleo, carvão, gás natural e xistos betuminosos – bem como a energia nuclear.

Na prática, faz-se a associação entre energias alternativas e energias amigas do ambiente, como hoje se costuma dizer. As energias alternativas são, portanto, energias constantemente renováveis, contrariamente às energias dos combustíveis fósseis.

Quem não gostaria de utilizar a energia elétrica sem os riscos ambientais e humanos que as energias convencionais (termoelétricas e nucleares) comportam?

Penso que a generalidade da população prefere a utilização de energias amigas do ambiente, em detrimento das energias convencionais, as quais têm vindo a criar sérios problemas no Planeta, nomeadamente: aumento da poluição, forte modificação do clima terrestre, aumento da temperatura global, com as consequências que se adivinham. A verdade é que, hoje em dia, todos nós sentimos na pele os efeitos da poluição geral do Planeta, devido à acumulação, ano após ano, dos produtos químicos resultantes da queima dos combustíveis fósseis – é uma respiração cada vez mais deficiente; é o aparecimento de novas doenças provocadas pelo aumento da temperatura média; são as migrações de insetos que transportam doenças novas; são os efeitos no clima provocando maremotos, tsunamis, tufões e inundações cada vez mais frequentes e destruidoras; é a subida do nível geral das águas, com efeitos terríveis nas zonas costeiras; é o degelo do Ártico e do Antártico, com as consequências para as espécies locais e para o Planeta em geral.

Visto que estes efeitos são cumulativos, há uma evidente necessidade de inverter a situação. Para isso, só há uma forma: a utilização cada vez maior das energias alternativas conhecidas, complementada com a investigação de novas formas de energia amigas do ambiente.

As energias alternativas hoje utilizadas são: a energia eólica, a energia solar, a energia fotovoltaica, a energia hidroeléctrica, a energia mareomotriz, a energia da biomassa, a energia geotérmica, a energia do hidrogénio, a energia dos biocombustíveis. Entretanto, a investigação científica está com uma pujança elevadíssima, sendo quase diária a publicação de novas descobertas nos campos da Física e Química, no âmbito da Nanotecnologia, com aplicações inovadoras na área da energia, que serão uma realidade a curto prazo!

Claro que todas estas energias não têm o impacto negativo na atmosfera que têm o carvão e o petróleo. O inconveniente principal das energias alternativas tem a ver com a potência reduzida fornecida por cada elemento gerador ou por cada uma destas centrais (com excepção das hidroeléctricas), bem como a irregularidade do fornecimento produzido, quando comparadas com as convencionais.

Por exemplo, no caso da energia eólica, para se obter uma potência eléctrica considerável, equivalente a uma central convencional, é necessário colocar milhares de aerogeradores, ocupando uma extensão de terreno enorme, com os inconvenientes resultantes. Por exemplo, a Central Termoelétrica de Sines tem uma potência instalada de 1256 MW, se considerarmos aerogeradores de 1 MW, que já são considerados de grande potência, seriam necessários 1256 aerogeradores para substituir esta Central Termoelétrica. Os aerogeradores estão sempre dependentes das condições de vento existentes em cada momento, não podendo fornecer uma potência constante.

No caso da energia solar, as potências instaladas são também sempre muito inferiores às das centrais convencionais e estão fortemente dependentes das condições meteorológicas.

A energia hidroeléctrica é aquela que pode fornecer potências ao nível das centrais termoeléctricas; no entanto, as melhores centrais hidroeléctricas (localizadas nos melhores locais e nos melhores rios) já foram entretanto construídas.

As restantes energias alternativas têm um peso muito reduzido na potência total produzida, pelo menos por agora, com as tecnologias existentes!

Até aqui, a escolha da energia a utilizar, em cada país, tem resultado de uma análise de custos que quase sempre pôs de parte a maioria das energias renováveis (excluindo, evidentemente, a hidroelétrica), por serem mais caras e por fornecerem pouca potência, comparativamente à convencional.

A partir daqui, a perspetiva tem de ser diferente. Com efeito, o que está em causa é o futuro da humanidade e a sua qualidade de vida. Como tal, o fator económico deve deixar de ter um peso tão grande, como até aqui, para passar a dar-se um peso maior a outros fatores, nomeadamente: segurança, qualidade de vida diária, preocupação em projetar o futuro, etc..

Mesmo que as novas formas de aproveitamento energético fiquem mais caras, a humanidade não tem outra saída. Pode ser que, entretanto, também sejam implementados outros processos de transformação energética que possam estar bloqueados (escondidos) pelas grandes companhias petrolíferas que nunca deixaram que as suas posições de mercado fossem postas em causa! Entretanto, aguardamos ansiosamente que a Ciência ajude a resolver este problema!

Que as energias renováveis vinguem, é esse o meu desejo, o nosso desejo – acredito eu.

‘A esperança é a última a morrer’

José Vagos Carreira Matias

www.josematias.pt

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Sobre josematias

Licenciado em Engenharia Electrotécnica, ramo Energia e Potência, pelo I.S.T., em 1977, cedo comecei a leccionar no Ensino Secundário, desde 1975 até à data. A falta, então existente, de material didáctico para o apoio das aulas teóricas e práticas da área de Electrotecnia/Electrónica, fez despertar a necessidade de produzir textos de apoio para os alunos que, em colaboração com o colega Ludgero Leote, permitiu que fossem publicados os livros ‘Automatismos Industriais – Comando e regulação’, ‘Sistemas de Protecção Eléctrica’ e ‘Produção, Transporte e Distribuição de Energia’, em 1981/2/3. A partir daí, nunca mais parei de escrever, o que para mim é um prazer! O colega Leote, com outros interesses diversificados, desistiu de escrever para publicação. Escrevi ainda o livro Máquinas Eléctricas-Transformadores com o colega José Rodrigues que, entretanto, se deslocou para o Portugal ‘profundo’ (um abraço)! Tive uma curta experiência como Orientador Pedagógico, à Profissionalização, no Alentejo, muito interessante, mas que não foi suficiente para deixar o contacto directo com o aluno, e com os livros, os quais saem bastante enriquecidos com esse contacto permanente. Na verdade, é bem verdadeiro o velho ditado “ao ensinar, aprende-se duas vezes”. É esta a principal razão para continuar com o giz e o apagador, e não dentro de um qualquer gabinete, apesar dos problemas actuais do nosso ensino. Se, cada um de nós, dentro das suas possibilidades, características e competências, dermos algo aos outros, sairemos todos mais enriquecidos! O meu trabalho é fundamentalmente autodidacta, com muita pesquisa (nos livros, na Internet, no laboratório real e, agora, no virtual). Apesar das dificuldades do ensino, nunca desisti, e não vou desistir. Acredito que este país irá saber dar a volta por cima ! Depende de cada um de nós!
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