O Significado Das Sete Saias

Não há uma explicação única para o uso das sete saias na Nazaré. Faz já parte da tradição nazarena e que foi ficando, ao longo das décadas, transmitida aos filhos e legitimada pelo uso. Diz o povo que elas representam as sete virtudes, os sete dias da semana, as sete cores do arco-íris, entre outras atribuições bíblicas e mágicas relacionadas com o número sete.

Há, no entanto, uma explicação plausível para este número e que tem a ver com as ondas do mar – sempre o mar a explicar tudo, ou quase tudo, na Nazaré. Até o modo de falar cantado do nazareno e da nazarena é explicado com a proximidade do mar.

Mas, voltando às sete saias!

As nazarenas costumavam esperar os seus familiares, sentadas no areal da praia, quantas vezes ao frio enregelante, e necessitavam de cobrir todo o corpo. Dessa forma, nada melhor do que vestir várias saias e, quando necessário, com algumas das de cima tapavam a cabeça e os braços, ficando as de baixo para o resto do corpo. Daí, o número elevado de saias que usavam frequentemente. Quanto ao número mágico 7, a explicação que alguns estudiosos avançam é a seguinte: quando os barcos esperam raso no mar, para encalhar, o raso geralmente acontece de sete em sete ondas, as quais as nazarenas contavam pelas próprias saias, dobrando-as levemente, uma a uma, até à última saia e última onda – desse modo, não se enganavam na contagem. Ao fim da última saia, esperava-se um bom raso para o ‘seu’ barco encalhar!

Num ponto, contudo, toda a gente está de acordo – o número de saias tem a ver com o mar e não com outra razão qualquer. Muitas nazarenas chegavam a usar mesmo mais do que sete saias. Mas foi o número sete que permaneceu ligado à tradição e à lenda nazarena. A continuação deste uso, nos dias de hoje, já tem a ver com razões estéticas femininas, com a vontade de manter viva a tradição e porque é, afinal, um traje bonito de se ver, que as nazarenas não enjeitam, os nazarenos gostam de ver e o forasteiro admira!

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Novembro 2013

José V C Matias

Sobre josematias

Licenciado em Engenharia Electrotécnica, ramo Energia e Potência, pelo I.S.T., em 1977, cedo comecei a leccionar no Ensino Secundário, desde 1975 até à data. A falta, então existente, de material didáctico para o apoio das aulas teóricas e práticas da área de Electrotecnia/Electrónica, fez despertar a necessidade de produzir textos de apoio para os alunos que, em colaboração com o colega Ludgero Leote, permitiu que fossem publicados os livros ‘Automatismos Industriais – Comando e regulação’, ‘Sistemas de Protecção Eléctrica’ e ‘Produção, Transporte e Distribuição de Energia’, em 1981/2/3. A partir daí, nunca mais parei de escrever, o que para mim é um prazer! O colega Leote, com outros interesses diversificados, desistiu de escrever para publicação. Escrevi ainda o livro Máquinas Eléctricas-Transformadores com o colega José Rodrigues que, entretanto, se deslocou para o Portugal ‘profundo’ (um abraço)! Tive uma curta experiência como Orientador Pedagógico, à Profissionalização, no Alentejo, muito interessante, mas que não foi suficiente para deixar o contacto directo com o aluno, e com os livros, os quais saem bastante enriquecidos com esse contacto permanente. Na verdade, é bem verdadeiro o velho ditado “ao ensinar, aprende-se duas vezes”. É esta a principal razão para continuar com o giz e o apagador, e não dentro de um qualquer gabinete, apesar dos problemas actuais do nosso ensino. Se, cada um de nós, dentro das suas possibilidades, características e competências, dermos algo aos outros, sairemos todos mais enriquecidos! O meu trabalho é fundamentalmente autodidacta, com muita pesquisa (nos livros, na Internet, no laboratório real e, agora, no virtual). Apesar das dificuldades do ensino, nunca desisti, e não vou desistir. Acredito que este país irá saber dar a volta por cima ! Depende de cada um de nós!
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