Mapa GARCIAS com as Serras de Portugal > 800m

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A VARIAÇÃO DAS TAXAS DE JURO E SEUS PRINCIPAIS EFEITOS NA ECONOMIA

Para quem não é economista, como eu não sou, a influência das taxas de juro na economia em geral (incluindo a Bolsa de Valores) constitui quase sempre um mistério. Como tinha várias dúvidas sobre o assunto, resolvi investigá-lo. E como não sou egoísta, quis partilhar convosco aquilo que aprendi sobre o tema, através deste texto, que servirá também para mim, se amanhã voltar a ter alguma dúvida.

Vejamos então.

A taxa de juro é um mecanismo de que os Bancos Centrais de cada país se servem para controlar a economia. Como é que eles conseguem então controlar a economia, aumentando ou diminuindo as taxas de juro? É isso que vou expor, sucintamente, e de um modo claro, de forma que os leigos, como eu, entendam. Vamos começar pela redução das taxas de juro.

 

  1. Redução das taxas de juro

Se o Banco Central reduzir as taxas de juro, quer o particular, quer o empresário, passam a ter crédito bancário com menos encargos. Dessa forma, os consumidores passam a comprar mais e os empresários podem investir mais – utilizando créditos bancários, pois os encargos são menores.

Esta é a primeira consequência da redução das taxas de juro. No entanto, há outras consequências: umas positivas, outras negativas. Vejamos quais.

As consequências positivas consistem no facto de o consumidor em geral ter acesso a mais produtos no mercado (com mais facilidade no crédito bancário), comprando mais e, em consequência, as empresas vendem mais – aumentando o seu capital, o que também é bom para os seus trabalhadores. A economia do país cresce e o Produto Interno Bruto (PIB) do país tem tendência, portanto, a subir. Aumentam os postos de trabalho, diminuindo o desemprego.

As consequências negativas consistem no facto de a taxa da inflação tender a aumentar, pois segundo a lei da oferta e da procura, quando a procura aumenta em demasia, se a oferta não acompanhar a procura, quem vende (produtor e revendedor) vai aumentar os preços; a lógica é a seguinte ‘se precisas, pagas o preço que eu imponho’. Aumentando os preços dos produtos, aumenta a inflação – o custo de vida aumenta.

A inflação é a taxa de aumento do preço de um cabaz de produtos selecionados. A inflação anual, a mais utilizada, corresponde ao aumento percentual deste cabaz de produtos ao fim de um ano.

Com o aumento do custo de vida, provocado pela subida da inflação, os trabalhadores exigem aumentos salariais, aumentando os encargos das empresas que, sua vez, aumentam os preços dos produtos produzidos (para compensar o aumento das despesas), com novo aumento da inflação, e assim sucessivamente – como uma bola de neve.

Outra consequência da redução das taxas de juro está ligada ao funcionamento da Bolsa de Valores, isto é, ao mercado de ações, obrigações, fundos de investimento, etc.. Vejamos então.

À medida que a taxa de juros diminui, quem tem dinheiro investido em depósitos a prazo, por exemplo, começa a receber menos juros desses depósitos e procura alternativas mais rentáveis na Bolsa de Valores, comprando ações, obrigações, fundos de investimento, etc., que têm geralmente maior retorno (lucro) do seu investimento. Em consequência, a Bolsa de Valores cresce, bem como as empresas nela cotadas.

A compra de ações, obrigações, fundos, etc., é sempre um compromisso entre o risco que se quer assumir e a expectativa de ganhos que se tem com estes produtos financeiros. Existem destes produtos: com mais risco, com menos risco ou com risco intermédio. Geralmente estão classificados em: defensivos (risco 1 ou 2), equilibrados (risco 3 ou 4) e agressivos (risco 5 ou 6). A expectativa de lucros varia diretamente proporcional com o risco assumido – quanto mais risco, tanto maior a expectativa de lucro e tanto maior a possibilidade de perda

Portanto, quem investe nestes produtos financeiros, define primeiro o seu perfil de risco.

Em resumo, para a redução das taxas de juros, temos:

  • O consumidor compra mais; mas também se endivida mais
  • As empresas vendem mais
  • As empresas aumentam o seu capital
  • O PIB aumenta
  • A Bolsa cresce de valor
  • O volume dos depósitos a prazo desce
  • A inflação aumenta

A inflação varia inversamente com as taxas de juro – se uma sobe, a outra desce, e vice-versa.

 

  1. Aumento das taxas de juro

Se o Banco Central aumentar a taxa de juro, tanto os particulares, como os empresários, passam a ter encargos bancários mais elevados, pelo que começam a reduzir os empréstimos bancários. Em consequência, o consumidor compra menos, o vendedor vende menos, o produtor e industrial produzem, vendem e investem menos. É esta a primeira consequência da subida das taxas de juro.

Vejamos agora as consequências positivas e negativas do aumento das taxas de juro.

Como consequências negativas: em virtude de o consumidor comprar menos, os produtos têm tendência a baixar de valor – é a lei da oferta e da procura. O vendedor, se quiser vender, tem de baixar o preço dos seus produtos. Desta forma, as empresas vendem menos. Isto é, o Produto Interno Bruto tem tendência a descer. As empresas investem menos (crédito mais caro), criam menos postos de trabalho, ou verificam-se despedimentos – o desemprego aumenta.

Como consequências positivas, temos a diminuição da taxa de inflação, em virtude de os preços descerem, visto o consumidor comprar menos – pois tem menor poder de compra.

No que respeita à Bolsa de Valores, passa-se o contrário do ponto anterior. Com as taxas de juro a subirem, os depósitos a prazo começam a tornar-se mais apetecíveis, pois não têm os riscos das ações, fundos de investimento e obrigações. Há muita gente que sai da Bolsa de Valores, comprando Depósitos a Prazo. A Bolsa de Valores tem tendência a cair de valor.

Em resumo, para o aumento das taxas de juros, temos:

  • O consumidor compra menos
  • As empresas vendem e investem menos
  • Os preços caem e a inflação diminui
  • Diminuem os movimentos bolsistas, descendo os índices
  • O volume dos depósitos a prazo cresce

 

A questão que falta agora perceber é a seguinte: quando é (em que circunstâncias) que os Bancos Centrais de cada país decidem reduzir ou aumentar as taxas de juro de referência.

Vejamos.

O Banco Central decide baixar as taxas de juro  de referência quando é necessário revitalizar a economia, isto é, dar-lhe um impulso para facilitar o acesso ao crédito bancário, levando o consumidor a comprar mais e o empresário a vender mais. Desta forma, as empresas crescem, o PIB aumenta, são criados mais postos de trabalho, diminuindo o desemprego. É o que está a acontecer em Portugal e na Europa, atualmente (2017). A principal consequência negativa é o aumento da taxa da inflação.

O Banco Central decide aumentar as taxas de juro de referência quando: a inflação está muito alta; as famílias estão muito endividadas; os níveis bolsistas estão demasiado altos, com níveis inflacionados e perigosos, originando bolhas especulativas, com risco de se poder dar um crash nas Bolsas de Valores.

Isto é, os Bancos Centrais tentam estabelecer uma situação de equilíbrio (dinâmico) nas economias dos respetivos países, em relação às diferentes variáveis em jogo (PIB, inflação, desemprego, índice da Bolsa de Valores, etc.). Para atingir esse objetivo, a variação da taxa de juro é o melhor instrumento que os Bancos Centrais possuem, pois ela mexe com todas as variáveis da economia.

No caso dos países da CEE, é o Banco Central Europeu BCE que impõe as principais regras de funcionamento da economia da Zona Euro. Impôs, por exemplo, 2% como limite máximo para a taxa de inflação na Zona Euro, a partir do qual ele irá aumentar as taxas de juro, de forma a reduzir o acesso aos créditos bancários e, assim, iniciar o combate à inflação, para evitar grandes subidas nos preços dos bens e produtos, e suas consequências. Neste momento (Outubro de 2017), a taxa média da inflação na Zona Euro está em 1,1%, ainda bastante abaixo do limite de 2% fixado pelo BCE. No entanto, na Alemanha, a taxa de inflação já atingiu 1,9%, muito próxima do valor máximo de 2%. Com este valor de inflação (1,9%) e com as taxas de juro baixas (a Taxa de Referência do BCE é de 0%),  os aforradores alemães que não invistam na Bolsa de Valores estão a perder uma quantia considerável de dinheiro. Por essa razão, a Alemanha está a pressionar o BCE para aumentar as taxas de juro, de forma a minimizar as perdas dos seus aforradores mais conservadores e baixar a inflação. O BCE tem, no entanto, sido inflexível no seu propósito que é o de proteger a economia global da Zona Euro, e não apenas a de um Estado membro, dizendo-lhes para terem paciência. Se o Presidente do BCE fosse alemão, provavelmente as taxas de juro já tinham subido. Digo eu.

Em conclusão, diremos que, como a economia global é muito dinâmica, com variações contínuas em todas as suas variáveis, os Bancos Centrais vão controlando a sua evolução, aumentando ou reduzindo as taxas de juro, de forma a mantê-la num certo equilíbrio dinâmico saudável.

Espero que o texto tenha sido útil.

30 de Outubro de 2017

JVCMatias

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O Mundo Em Mudança

O mundo está em constante mudança. Umas coisas para melhor, outras para pior.

Nas coisas negativas, incluímos, sem qualquer dúvida: o aumento da poluição; o aumento da temperatura média ambiente; as alterações climáticas, aqui e ali, descontroladas; o aumento do poder hegemónico dos grandes grupos económicos; a fome que grassa em muitas zonas do Planeta; os conflitos que parece que nunca acabam: o aumento do radicalismo político e social; etc..

Nas coisas positivas, incluímos também sem dúvida, o crescimento imparável da informática e das novas tecnologias, que têm permitido todo um conjunto de avanços nos campos mais variados do conhecimento e das áreas profissionais, como sejam: a medicina, a engenharia, a comunicação, entre muitas outras áreas do conhecimento e do lazer.

Ninguém tem dúvidas de que a grande maioria das descobertas que hoje se fazem na área da medicina, por exemplo, se deve à qualidade dos instrumentos utilizados e às tecnologias avançadas hoje existentes, o que era impossível há algumas décadas atrás. Os aparelhos e instrumentos electrónicos são hoje muito mais potentes e precisos e apoiados por programas informáticos muito mais desenvolvidos. Além disso, as comunidades científicas, nacionais e internacionais, estão ligadas entre si permanentemente, trocando impressões em tempo real, permitindo avanços mais rápidos na descoberta e no conhecimento.

E o que dizer da rapidez de partilha da informação por qualquer cidadão, permitindo que qualquer acontecimento, qualquer comentário, dê a volta ao mundo em poucos segundos. Claro que, aqui, há também aspectos negativos que têm de ser acautelados, como sejam: as informações falsas, os boatos não confirmados, o pânico que se pode instalar em determinadas situações; etc. Mas, afinal, todos sabemos já que toda a informação pode sempre ser utilizada com fins e objectivos diferentes – nada de novo, portanto.

O que dizer também do enorme desenvolvimento da Engenharia Aeroespacial que permite, hoje, perscrutar pontos cada vez mais longínquos do Universo, pontos esses que o homem levaria, hoje, centenas ou milhares de anos a visitar (morreria pelo caminho).

E o impressionante disto tudo é que não se antevê que haja limite para o engenho humano. Aquilo que ontem era uma grande novidade, hoje é banal e amanhã ainda já está obsoleto.

As sociedades têm crescido a ritmos diferentes umas das outras, acompanhando ou passando ao lado de muita desta evolução do conhecimento. Mesmo, dentro do mesmo país, há cidades e vilas que estão mais sensibilizadas para a importância das Novas Tecnologias do que outras. É de receio a primeira reacção das pessoas ao desconhecido e, por isso, torcem o nariz a certas coisas novas que impactam com a sua vida profissional e particular, como sejam: as diferentes aplicações informáticas, os diferentes aparelhos de comunicação, os inúmeros gadgets que hoje existem com aplicações na saúde, no lazer, no bem-estar, no conforto do lar, etc.. Por isso, muitos não se aproximam destas novidades, pensando que não são para si e que delas nada de bom virá. Nada de mais errado! Há que desmistificar muitos desses receios infundados.

Muitos milhões de postos de trabalho novos têm sido criados, a nível mundial, à custa da Informática e das Novas Tecnologias. É certo que muitos outros postos de trabalho têm desaparecido com a robotização das empresas, por exemplo – é inevitável. Muitas novas empresas têm sido criadas em todo o mundo, a tirarem partido das Novas Tecnologias, criando todo um mundo novo de dispositivos electrónicos, com todo o tipo de sensores que medem as diferentes grandezas físicas e químicas, nomeadamente: temperatura, pressão, velocidade, humidade, posição geográfica, inclinação, etc.. E é preciso não esquecer que aqueles que fogem, hoje, do conhecimento estarão amanhã completamente desintegrados da sociedade, como se falassem uma linguagem diferente.

Quer se queira, quer não, cada empresa, cada cidade, cada vila ou aldeia, está em competição com outras, com ofertas semelhantes de bens e serviços. Neste braço de ferro, quem vai ganhar a competição?

Cada um terá os seus trunfos e argumentos a apresentar, os quais serão avaliados pelos compradores de bens e serviços, que somos todos nós, seja na compra de electrodomésticos ou de uma estadia na praia, no campo ou na montanha.

Ganhará aquele que conseguir apresentar o bem ou serviço com a melhor relação de qualidade/preço ou a oferta mais original, assim entendida pelo comprador.

E é aqui que entra a criatividade de cada proponente. Às vezes, os pormenores fazem toda a diferença. A criatividade pode ser desenvolvida, estimulada, trabalhada e pensada. Podem ser criadas equipas de reflexão (do tipo brainstorming, por exemplo), com vista a procurar ideias novas relacionadas com um dado bem ou serviço. O objectivo é criar um clima focado num dado assunto e tentar encontrar, em conjunto, soluções variadas para o mesmo, explorando diferentes ideias, mesmo que bizarras. A maioria das startups que tem aparecido no mercado nos últimos anos é assim que trabalha quando tem falta de soluções. A Apple é assim que geralmente trabalha. Claro que as empresas grandes, como a Apple, têm gente com enorme talento; mas o talento e a criatividade não é um exclusivo de alguns iluminados.

Em todo o lado, existe criatividade. Toda a gente pode desenvolver a sua criatividade, uns mais, outros menos. Se cada um de nós não tentar, ou não for estimulado, nunca saberá quais as suas reais capacidades. E quantos de nós não descobriram já muito tarde que, afinal, tinham alguns talentos de que não desconfiavam!

A maioria dos seres humanos gosta de apreciar a novidade, de ver coisas diferentes. É normal que isso aconteça, porque todos queremos sair da rotina – a rotina cansa. Vamos então dar-lhes aquilo que elas querem, em vez de impingir receitas e ideias antigas.

E não tenhamos medo de ver como os outros fazem para descobrir novas fórmulas, novas formas de pensamento e de acção. Novas formas de apresentar um produto, um serviço. Todos têm algo a ensinar aos outros. Aprendemos com toda a gente, mesmo com aqueles que parecem menos dotados ou até analfabetos. Há muitos exemplos, na História das sociedades, que o demonstram. Todos conhecemos casos que demonstram que a criatividade, o conhecimento e o talento está onde menos se espera. Não tenhamos medo de aprender com o outro, seja quem for. Não tenhamos medo de errar. Errar faz parte do processo de aquisição do conhecimento e do nosso crescimento. Com o erro, aprende-se muito – nem que seja a evitar cometer esse erro. Mas é mais do que isso – influencia o nosso raciocínio, levando-o noutra direcção.

Quem não tem coragem de mostrar que não sabe, não evolui, ou evolui menos. É preciso ter mente aberta, despojada de complexos e inibições.

O caminho faz-se caminhando. Não é parado que se caminha. Por isso, há que arregaçar as mangas, há que fazermo-nos à estrada. Apesar dos escolhos, sabe bem, no fim, o sucesso.

Como professor durante 36 anos, trabalhando diariamente com muitos jovens, aprendi muito com eles. Aprendi a ser melhor professor. Aprendi a ensiná-los melhor. Percebi que muitas vezes não estava a conseguir transmitir-lhes adequadamente os conceitos. Percebi que os jovens podem ser muito criativos.

A criatividade dos jovens, se bem aproveitada, pode permitir obter-se excelentes resultados. A experiência dos mais velhos, aliada à criatividade e fulgor dos mais novos, permite obter fórmulas de sucesso. Hoje em dia há muitos exemplos de startups, com gente jovem, a dar cartas no mundo empresarial. Por isso, é preciso olhar para esta gente de sucesso e aprender com eles.

O futuro está na criação criteriosa destas equipas mistas, focadas em objectivos bem definidos. Assim haja vontade de o fazer.

 

Lisboa, 12 de Outubro de 2017

José Vagos Carreira Matias

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