Alguns dos Termos Locais Utilizados Na Nazaré

  1. Acamado  (peixe) – Muito peixe
  2. Alagou (o peixe) – Apanhou muito peixe
  3. Alborques – Intrigas, confusões.
  4. Armação – Arte de pesca antiga, com rede fixa.
  5. Arte Xávega – Rede de arrasto, puxada para a terra.
  6. Asido  (aparelho) – O aparelho de pesca ficou preso dentro de água.
  7. Bartidor – Utensílio de pesca para tirar água dos barcos. Pensa-se que seja a deturpação da palavra ‘vertedor’ ou ‘vertedouro’.
  8. Batel – Barco de pesca antigo, substituído, depois, pelos botes com motor.
  9. Belisco – Porção de isco de pesca.
  10. Bicheiro – Arpão.

    Praia_da_Nazare

    Praia_da_Nazare

  11. Bóias – Local no mar da Nazaré situado em frente do Promontório, onde antigamente ficavam fundeados os barcos, quando regressavam da pesca.
  12. Boqueirão – Aparelho de pesca à enguia, em rede, com vários arcos. É um guelricho maior.
  13. Bote – Barco de pesca a motor, com um comprimento entre 10 a 16 metros.
  14. Caçada – Aparelho completo de pesca ao anzol no mar, constituído por várias celhas de aparelho, com anzóis, as respetivas bóias e chumbéus. Uma caçada pode ter 40 celhas e cada celha cerca de 200 a 250 anzóis, o que perfaz  8000 a 10000 anzóis.
  15. Canastra – Cesto de verga utilizado pelas nazarenas para transportarem o peixe.
  16. Candil – Arte de pesca marítima, com rede de cerco, utilizando um candeio (foco luminoso), para atrair o peixe para a rede.
  17. Capinete – Camaroeiro.
  18. Caracoleiro – Aparelho de pesca à enguia, igual ao guelricho,  que utiliza caracóis como isco.
  19. Cegada – Representação teatral, do tipo comédia, satírica, feita e representada por nazarenos, que retrata as ocorrências mais interessantes na Nazaré.
  20. Chumbéu – Pedra que é utilizada como peso num aparelho de pesca, com anzóis, para levá-lo para o fundo.
  21. Coroa – Locais da maré com pouca profundidade de água, comparativamente aos locais mais profundos que têm o nome de lagaceiras.
  22. Corrimão – Aparelho comprido com muitos anzóis, lançado à água, a partir do areal.
  23. Corrimão estacado – Técnica de pesca com o corrimão, fixando-o com estacas.
  24. Covo – Armadilha de pesca à lagosta e ao safio.
  25. Desempachar – Tirar as voltas ao aparelho de pesca, quando está todo emaranhado.
  26. Empachado – Termo que significa que o aparelho de pesca está todo emaranhado (com muitas voltas) e impróprio para pescar.
  27. Empatar o anzol – Atar o anzol à estravadura. A estravadura é um fio (atualmente, em nylon) curto que depois é atado à madre ou fio principal.
  28. Entralhar a rede – Fazer as malhas da rede, utilizando uma agulha própria.
  29. Enxama – Ferro cilíndrico do barco onde vai encaixar o remo, para poder impulsionar o barco.
  30. Espinel – É uma espécie de corrimão, mas utilizado nos barcos de pesca marítima
  31. Esprangeirado – Termo utilizado na Nazaré na baixa-mar, quando a maré seca bastante e fica com uma altura de água pequena, onde ainda se pode pescar. O robalo gosta de andar muitas vezes no esprangeirado, a acompanhar as ondas.
  32. Estindarte  (estendal) – Zona da praia da Nazaré onde se seca o peixe.
  33. Estralho – Pequeno fio, que liga à madre (fio principal), onde é atado ou ‘empatado’ o anzol.
  34. Estravadura – Pequeno fio onde é atado ou ‘empatado’ o anzol
  35. Foquim – Utensílio que era utilizado na pesca para transportar o farnel. O foquim foi, depois, substituído por barças.
  36. Galeão – Barco de pesca antigo, a remos e vela, que foi substituído pela traineira, a motor.
  37. Gamela – Utensílio de pesca, onde era colocado o aparelho com anzóis. Levava quatro talas de aparelho.
  38. Groseira – Aparelho de pesca ao anzol que levava cerca de 75??? Anzóis.
  39. Guelricho  (ou galricho) – Aparelho de pesca à enguia, com vários arcos, destinados a abrir a rede e fazer maior volume.
  40. Isca branca – Termo utilizado na pesca, para designar todo o tipo de isca mais clara, como: sardinha, petinga, lula.
  41. Lagaceira – Locais da maré com muita profundidade de água, comparativamente aos locais menos profundos que têm o nome de coroas.
  42. Lance – Locais de pesca da Arte Xávega, onde as redes eram lançadas à água e aladas. Cada lance tinha o seu nome. Na Nazaré, havia os seguintes lances:Moiteira, Coroa, Esquininha, Lance Norte, Seprum, Brasil, Paus, Borda do Poço, Ferro Morto, Corno Queijo (a sul da antiga foz do rio Alcoa).
  43. Lancha – Barco de pesca pequeno, com cerca de 3,5 metros, sem quilha.
  44. Leva de mar –  Mar levadio, malvadio ou rabiosa – expressões utilizadas para significar que as ondas do mar estão muito altas.
  45. Linhada – Expressão utilizada quando o pescador do corrimão ou da cana, lançava o aparelho na água e alava-o, completando um ciclo ou linhada.
  46. Mar levadio – Igual a ‘leva de mar’, igual a malvadio e igual a rabiosa. Significa que as ondas estão muito altas.
  47. Mar raso – Mar calmo.
  48. Neta – Rede de arrasto da Arte Xávega.
  49. Paleco – Nome que era, e ainda é, dado ao forasteiro que visita a Nazaré.
  50. Panal – Utensílio de madeira, comprido, que era utilizado na areia, para ‘varar’ o barco ao mar, evitando que se enterrasse na areia. O panal era ensebado, para o barco deslizar melhor na areia.
  51. Panas – Utensílios em cortiça, utilizados nas redes, para as mesmas flutuarem, evitando que o peixe passasse por cima da rede. Em baixo, utilizam-se chumbos, para levar a outra extremidade ao fundo, fechando toda a passagem.
  52. Paneiros – Artefactos em madeira, rectangular, com rede no interior, onde é secado o peixe, na Nazaré.
  53. Pegadilho – Local da costa marítima, onde existem zonas em que os aparelhos de pesca ficam presos, impedindo a pesca adequada. Pegadilhos, podem ser: rochas, barcos afundados ou outros destroços.
  54. Poita – Âncora em pedra, para fundear o barco.
  55. Pranchada – Termo utilizado quando se apanha muito peixe, numa só pescaria.
  56. Rebaco – Peixe pequeno capturado nos rios da Zona Oeste do país. O seu nome verdadeiro é ruivaco ou ruibaco.
  57. Recoveira – Pau comprido de madeira que era utilizado para prender o cabo das redes da Arte Xávega.
  58. Remolhão – Iscada de minhocas, enfiadas numa linha com uma agulha, para pescar enguias à sertela.
  59. Roama – Peixe pequeno da família do goraz.
  60. Safar o aparelho – É o mesmo que desempachar o aparelho, isto é, tirar-lhe as voltas.
  61. Selha de aparelho – É o conjunto constituído por uma gamela com o aparelho com anzóis, nela colocado.
  62. Sertela – Arte de pesca à enguia, utilizando uma cana fina e um remolhão com minhocas, preso na extremidade da cana. A enguia atira-se à minhoca e fica com os dentes presos no fio e, nessa altura, dá-se à sertela, isto é, levanta-se a cana, com a enguia agarrada.
  63. Socos/socas – O mesmo que tamancos/tamancas. Calçado muito utilizado antigamente pelos nazarenas e nazarenas, respetivamente.
  64. Tala – Utensilio , geralmente feito de cana, onde eram colocados os anzóis já atados às estravaduras do aparelho de pesca.
  65. Tarrafa – Rede de pesca curta, de cerco, manejada por um só pescador que a lança no rio, à sua frente e depois ala-a lentamente.
  66. Teca de peixe – Porção de peixe.
  67. Traineira – Barco de pesca grande, a motor, geralmente utilizado na pesca à sardinha. Geralmente, tem mais de 20 metros.
  68. Tresmalho – Rede pesca de emalhar, com três malhas diferentes. A malha exterior é a mais larga e a mais interior a mais estreita.
  69. Velho de terra – Pescador que tinha a função de realizar as tarefas do barco, em terra.
  70. Xalavar – Utensílio de pesca, em rede, com um só arco, para transportar grandes quantidades de peixe. Um xalavar levava cerca de …. quilos.
  71. Xui – Ordem de compra dada na lota, ao preço a que o vendedor está a relatar no momento.

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Sobre josematias

Licenciado em Engenharia Electrotécnica, ramo Energia e Potência, pelo I.S.T., em 1977, cedo comecei a leccionar no Ensino Secundário, desde 1975 até à data. A falta, então existente, de material didáctico para o apoio das aulas teóricas e práticas da área de Electrotecnia/Electrónica, fez despertar a necessidade de produzir textos de apoio para os alunos que, em colaboração com o colega Ludgero Leote, permitiu que fossem publicados os livros ‘Automatismos Industriais – Comando e regulação’, ‘Sistemas de Protecção Eléctrica’ e ‘Produção, Transporte e Distribuição de Energia’, em 1981/2/3. A partir daí, nunca mais parei de escrever, o que para mim é um prazer! O colega Leote, com outros interesses diversificados, desistiu de escrever para publicação. Escrevi ainda o livro Máquinas Eléctricas-Transformadores com o colega José Rodrigues que, entretanto, se deslocou para o Portugal ‘profundo’ (um abraço)! Tive uma curta experiência como Orientador Pedagógico, à Profissionalização, no Alentejo, muito interessante, mas que não foi suficiente para deixar o contacto directo com o aluno, e com os livros, os quais saem bastante enriquecidos com esse contacto permanente. Na verdade, é bem verdadeiro o velho ditado “ao ensinar, aprende-se duas vezes”. É esta a principal razão para continuar com o giz e o apagador, e não dentro de um qualquer gabinete, apesar dos problemas actuais do nosso ensino. Se, cada um de nós, dentro das suas possibilidades, características e competências, dermos algo aos outros, sairemos todos mais enriquecidos! O meu trabalho é fundamentalmente autodidacta, com muita pesquisa (nos livros, na Internet, no laboratório real e, agora, no virtual). Apesar das dificuldades do ensino, nunca desisti, e não vou desistir. Acredito que este país irá saber dar a volta por cima ! Depende de cada um de nós!
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